Governistas impedirão convocação de Dilma, diz deputado

Paulo Teixeira (PT-SP), da CPI dos Cartões, descarta ainda a quebra do sigilo dos cartões da Presidência

Anne Warth, Agencia Estado

29 de março de 2008 | 17h20

O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), membro da CPI dos Cartões Corporativos, disse neste sábado, 29, que a bancada governista fará tudo o que puder para impedir a convocação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para depor à comissão. A possível convocação ocorreria em razão do vazamento de dados sigilosos de gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua mulher, Ruth Cardoso.    Veja também: Dossiê contra FHC foi decisão de governo 'Candidatura de Dilma em 2010 está morta', diz analista Dilma admite 'banco de dados' sobre FHC e nega dossiê Briga entre FHC e Lula antecipa debate sobre sucessão Os ministros caídos  Entenda a crise dos cartões corporativos  IMAGENS: Momentos de 'amor e ódio' de FHC e Lula    "Nessa próxima semana, não vamos aceitar a convocação da ministra Dilma. Vamos pedir ao Palácio do Planalto rapidez na apuração do responsável pelo vazamento e não vamos aceitar a quebra de sigilo das contas da Presidência da República, a não ser que haja denúncias a serem apuradas", disse Teixeira, ao participar de seminário do Diretório Municipal do partido sobre as eleições deste ano, na capital paulista.Na avaliação do deputado, a oposição quer desgastar a imagem da ministra, por seu papel estratégico no governo e sua projeção política. "Querer arrastar a ministra Dilma para dentro não é uma atitude correta, até porque ela está tão indignada quanto nós e está tomando todas as providências", declarou.   Embora FHC já tenha autorizado a quebra do sigilo de seus gastos, Teixeira defende que o sigilo seja mantido. "O sigilo não pertence a ele, mas sim à instituição da Presidência da República. Se ele autorizou, o fez no calor do momento, porque ele foi presidente da República e se achasse, naquele tempo, que não precisava haver sigilo, poderia ter modernizado a legislação e colocado todos os seus gastos na internet, o que não aconteceu." O deputado acredita que a existência do sigilo seja necessária e disse que não haverá condescendência ou complacência com o responsável pelo vazamento. "Quem quebrou o sigilo cometeu um crime", afirmou. "Mas a oposição está tomando de seu próprio veneno, pois quebra sigilo como se fosse algo vulgar."   Teixeira recusou a idéia de envolver a Polícia Federal nas investigações, alegando que a comissão de averiguação instituída pela Casa Civil será capaz de identificar o servidor que recolheu as informações sobre o ex-presidente. "São poucos os servidores que têm senha para o sistema. Então, não é difícil apurar", afirmou.O deputado, entretanto, não considera que houve crime do governo quando decidiu coletar os dados sobre os gastos da Presidência durante o governo FHC. De acordo com ele, essa decisão foi tomada para atender à recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU), que indicou que todos os dados deveriam ser informatizados e incluídos no sistema para responder a um eventual pedido da CPI de quebra de sigilo do governo anterior. "Certamente houve problema de quebra de confiança na organização desse dados", afirmou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.