Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Governistas farão novas questões de ordem em comissão do impeachment

Ciente de que o Planalto perdeu apoio, base aliada muda de estratégia e agora tenta protelar os trabalhos da comissão

Daniel Carvalho e Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

22 de março de 2016 | 11h41

Brasília - Com a decisão da oposição de abrir mão da inclusão da delação premiada do ex-líder do governo no Senado Delcídio Amaral (ex-PT-MS) no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, deputados da base do governo apresentarão ao menos duas novas questões de ordem na sessão desta terça-feira, 22, da comissão especial que discute o impedimento. Ciente de que o Planalto perdeu apoio, os governistas mudaram de estratégia e agora tentam protelar os trabalhos da comissão.

Uma delas questionará o fato de a notificação entregue a Dilma na semana passada incluir a delação. Os governistas argumentarão que a presidente não pode apresentar sua defesa em cima de uma notificação imprecisa. Pedirão nova notificação e, com isso, novo prazo para apresentação de defesa.

A retirada da delação será anunciada pelo presidente da comissão, Rogério Rosso (PSD-DF), e pelo relator do caso, Jovair Arantes (PTB-GO). Com a decisão, a denúncia volta a ser embasada novamente apenas nas chamadas "pedaladas fiscais" e nos decretos sem autorização do Congresso.

Uma outra questão de ordem vai abordar a oitiva dos autores do requerimento, os juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaina Paschoal. O convite a eles foi feito em requerimentos e anunciado ontem por Jovair Arantes. Os governistas argumentarão que a denúncia já está apresentada e que não seria correto ouvi-los sem haver a apresentação da defesa.

Nesta quarta-feira, 23, Rosso pretende fazer uma sessão administrativa a portas fechadas.

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