Governistas em luta contra a CPI da Corrupção no Senado

Os líderes dos partidos governistas começam a semana tentando minimizar as repercussões em torno das denúncias sobre o suposto esquema de venda de informações a banqueiros, que teria sido montado pelo economista Francisco Lopes durante sua gestão no Banco Central. Os aliados do governo querem impedir que a denúncia, publicada na revista ?Veja?, reforce os argumentos da oposição em favor da criação da CPI da Corrupção no Senado. O requerimento já obteve 22 assinaturas de senadores, incluindo integrantes da oposição e aliados do governo. Com o apoio, já declarado, de três senadores do PPS, a oposição precisaria de mais dois senadores para completar o número regimental e instalar a CPI. Enquanto tentam apagar esse incêndio na base governista, os senadores estarão voltados também para as articulações que devem preceder a votação, nesta quarta-feira, do relatório do senador Roberto Saturnino Braga (PSB-RJ), pedindo a cassação dos senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (sem partido-DF) pela violação no painel eletrônico do Senado. Os partidários do ex-presidente do Senado querem abrandar a pena, trocando a cassação pela suspensão do mandato por 90 dias. Mas o êxito dessa operação depende de votos no Conselho de Ética e, numa votação aberta, dificilmente os dois senadores acusados teriam chance. VotaçõesEm meio aos movimentos pró-CPI e do clima pela cassação dos senadores Antonio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda, os líderes do governo pretendem acelerar a votação de projetos importantes no Congresso. No Senado, onde os dois assuntos estão focalizados, a intenção é aprovar até quinta-feira a autorização para o governo contrair empréstimo do Bird, no valor de US$ 757 milhões, para recompor as reservas internacionais. O líder do governo, senador Romero Jucá (PSDB-RR), apresentará requerimento amanhã para a votação dessa matéria em regime de urgência. A expectativa é iniciar, ainda esta semana, a discussão do projeto que altera a lei das sociedades por ações, a chamada lei das S.A, reunindo conjuntamente as Comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e de Assuntos Econômicos (CAE). Além disso, os líderes querem concluir esta semana a votação da proposta de emenda constitucional (PEC) que estabelece a renúncia, seis meses antes do pleito, do presidente da República, governadores e prefeitos que queiram disputar a reeleição. Também na Câmara, os parlamentares querem avançar em, pelo menos, três projetos importantes, conforme informação do líder do governo, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP). Entre eles, o que regulamenta o Fundo de Combate à Pobreza; o projeto que estabelece as regras para a reposição das perdas do FGTS ocorridas durante os planos Collor I e Verão; além da proposta que regulamenta o sistema de previdência complementar dos servidores públicos. A idéia do presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), é liberar da pauta os projetos que têm urgência constitucional, para que a Casa possa acelerar o exame de propostas de iniciativa dos parlamentares. Aécio, inclusive, já solicitou ao presidente Fernando Henrique que retire a urgência constitucional de algumas matérias.

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