Governistas armam retirada da CPI da pauta do Congresso

Os líderes da base aliada acertaram nesta terça-feira, em reunião do Conselho Político com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, montar uma ofensiva para tirar a CPI do Apagão Aéreo da agenda nacional. A idéia é evitar qualquer menção ao tema, até que o Supremo Tribunal Federal (STF) se manifeste sobre a instalação da CPI. "Tem que tirar este assunto da pauta", resumiu o vice-líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS). "Precisamos é de uma solução para o problema dos controladores, e não de um conflito político, de um enfrentamento entre governo e oposição numa CPI", completou o petista.A avaliação predominante na reunião foi de que os controladores "deram um tiro no próprio pé", quando decidiram se amotinar na última sexta-feira. Segundo um líder aliado, que usou esta expressão e prefere não se identificar, no que se refere a CPI os governistas entendem que, a despeito de todo o caos, o movimento dos controladores foi "fundamental e positivo" no sentido de evitar a abertura do inquérito. "Ficou claro para todo mundo que o problema são os controladores aéreos e que não é preciso CPI para concluir isto nem para apontar a solução", explicou o líder.Os governistas estão convencidos de que o motim dos controladores pode ajudar a "esclarecer" a situação também para o STF, de modo a que o pleno do tribunal recuse o mandado de segurança obrigando o Congresso a criar a CPI. Eles se animaram com as declarações dadas na segunda pelo ministro Celso de Mello, que apontara a quebra de dois princípios constitucionais, pelos controladores: o da hierarquia e o da disciplina militar.Diante deste cenário, a ordem, entre os governistas, é pegar o "embalo do motim", não só para enterrar a idéia da CPI como para tentar explicar o caos aéreo à opinião pública, fazendo a defesa do governo. Foi neste sentido que os líderes cobraram do presidente Lula que acione a Comunicação Social do governo para mostrar à sociedade que, desde o início, o problema foram os controladores e que o governo não cedeu aos amotinados. A idéia é poupar o presidente de ir à televisão para explicar a crise. Ele só usaria rede nacional no caso de agravamento do problema com uma nova paralisação nos feriados da Páscoa. Caso a abertura da CPI seja inevitável, os líderes aliados tratarão de escolher a dedo os seus representantes na tentativa de garantir maioria ao governo no colegiado. Na condição de bancada majoritária na Câmara, o PMDB já avisou que não abre mão de presidir o colegiado. "O PT que se vire e fique com a relatoria. Quem pariu Mateus que o embale", resumiu um importante dirigente do PMDB, descartando qualquer hipótese de um peemedebista assumir o ônus de relatar os trabalhos de uma eventual CPI.OposiçãoA crise do setor aéreo brasileiro não deverá ser resolvida apenas com a eventual instalação da CPI do Apagão no Congresso Nacional. "Defendo a instalação da CPI e acredito que ela é um instrumento muito válido para investigar e propor soluções. Mas não precisamos de uma CPI para resolver o caos deste setor. O momento é de extrema gravidade e exige respostas urgentes de um governo que, lamentavelmente, não tem demonstrado preparo e eficiência", afirmou à Agência Estado o presidente estadual do PSDB de São Paulo, deputado Antonio Carlos Mendes Thame.Segundo o tucano, é preciso que o governo Lula não restrinja os investimentos no setor de infra-estrutura. "O governo precisa deixar de contingenciar (os investimentos) e colocar em execução um plano de investimentos. O problema não é a falta de recursos, mas sim de eficiência no planejamento", destacou Thame. A carência de investimentos no setor de infra-estrutura e o questionamento sobre a gestão do governo Lula nessa crise do setor aéreo também tem aumentado o volume das críticas dos Democratas (antigo PFL). Na avaliação do líder dos Democratas no Senado, José Agripino Maia, o caos no setor aéreo brasileiro "é o maior espetáculo de incompetência administrativa que o Brasil já viveu nos últimos anos". Para os Democratas, é fundamental a instalação da CPI do Apagão. Caso ela não seja instalada na Câmara, a legenda pretende propor que ela seja instalada no Senado.(Com Elizabeth Lopes)

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