Governistas alertam Tarso sobre disputa entre aliados

O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, reuniu-se na noite desta segunda-feira com presidentes de dez partidos da base aliada para discutir a disputa pelo comando da Câmara. O encontro mostrou a preocupação dos governistas em relação à divisão entre os deputados Aldo Rebelo (PCdoB-SP), atual presidente da Casa, e Arlindo Chinaglia (PT-SP), líder do governo.Durante a reunião, somente os presidentes do PCdoB, Renato Rabelo, e do PSB, Roberto Amaral, declararam apoio fechado a Aldo. Os demais dirigentes apenas alertaram o ministro para o risco do "efeito Severino", que ameaçaria o governo de coalizão idealizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O alerta é uma referência a Severino Cavalcanti (PP-PE), antecessor de Aldo na presidência da Câmara, que foi favorecido em 2005 pela disputa entre candidatos governistas."A divisão na base enfraquece todas as lideranças envolvidas nesse primeiro teste da coalizão", advertiu o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), na reunião desta segunda-feira. Para ele, a disputa entre os aliados pode comprometer o processo político e a credibilidade da própria coalizão.O líder do PTB, deputado José Múcio Monteiro (PE), também advertiu que o surgimento de duas candidaturas na base enfraquece os líderes que negociam em nome do governo no Congresso. Também presente ao encontro, o líder do PMDB na Câmara, deputado Wilson Santiago (PB), disse que a maioria dos diretórios do PMDB - entre eles os de Minas Gerais e do Rio de Janeiro - apóia a candidatura do petista Chinaglia.Embora a reunião tenha evidenciado uma pequena vantagem de Chinaglia sobre Aldo, vários líderes participantes avaliaram que a disputa pode resultar no aparecimento de um terceiro candidato, que seria lançado por um grupo suprapartidário de deputados.Ministério confirma O Ministério das Relações Institucionais divulgou uma nota nesta terça-feira confirmando que os dirigentes dos partidos aliados se mostraram preocupados com a disputa entre os candidatos governistas pelo comando da Câmara e com a possibilidade de surgimento de um terceiro candidato."A maioria dos presentes à reunião avaliou", segundo a nota divulgada pelo Ministério, "que o problema efetivo não é a base aliada ter dois candidatos, já que ambos são integrantes da coalizão". De acordo o texto, "o problema poderá ocorrer se surgir uma terceira candidatura que possa dividir os votos da base aliada em um eventual segundo turno".A nota informa ainda que a reunião teve início no começo da noite de segunda-feira, "fora do Palácio do Planalto", e terminou às 21 horas. De acordo com o documento, os dirigentes partidários chegaram a quatro conclusões:1ª) "Tanto Aldo Rebelo como Arlindo Chinaglia são integrantes da base do governo e merecem a confiança dos partidos e do governo";2ª) "Os presidentes dos partidos e suas lideranças vão continuar negociando para buscar a unificação de candidaturas";3ª) "O PT e o PCdoB farão reunião para discutir as respectivas posições a respeito da sucessão na Câmara";4ª) "Adquiriu especial importância a reunião do PMDB, nesta terça-feira, quando 84 dos 90 deputados da sua bancada farão uma avaliação da posição do partido sobre a sucessão na Câmara".Candidatura alternativaNesta terça-feira, integrantes da nova bancada do PMDB devem sugerir ao presidente nacional da legenda, deputado Michel Temer (SP), o lançamento de um candidato próprio do partido à presidência da Câmara. Na reunião realizada na noite de segunda-feira, Temer reiterou que seu partido está "firme" com o governo no processo de sucessão. Outros participantes do encontro anteciparam que vão defender o lançamento da candidatura do próprio Temer. Um deles é o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique de Silveira.

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