Governismo de Cunha cai ano a ano

Levantamento do 'Estadão Dados' mostra fidelidade ao Planalto dos quatro candidatos à presidência da Câmara nas votações da Casa; índice de peemedebista foi de 94% para 69% entre 2011 e 2014

Daniel Bramatti, Estadão Dados

28 de janeiro de 2015 | 12h22

Atualizado às 14h33

São Paulo - O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), favorito na disputa pela presidência da Câmara, já foi um fiel seguidor das orientações do Palácio do Planalto ao votar projetos de lei, medidas provisórias e outras propostas, mas seu índice de governismo caiu a cada ano do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff.

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Tido como porta-voz da ala "rebelde" do PMDB, sempre insatisfeita com o tamanho da cota destinada ao partido na Esplanada dos Ministérios, Cunha votou com o Planalto 94% das vezes em 2011, no primeiro ano da gestão Dilma, segundo o Basômetro, ferramenta online do Estadão Dados que mede o nível de governismo de partidos e parlamentares.

Nos três anos seguintes, o índice de fidelidade do peemedebista caiu para 80%, 74% e 69%. Na média do primeiro mandato, ele se alinhou ao governo em 80% das votações. Mas deixou a presidente em má situação ao votar contra projetos considerados prioritários.

Por meio de sua assessoria de imprensa, Cunha informou que ele não vai comentar os dados. A eleição para definir o comando da Câmara será neste domingo, 1º de fevereiro.

Candidato do PT ao comando da Câmara, Arlindo Chinaglia (SP) foi 99% governista no primeiro mandato. Isso significa que, de cada 100 votações, em 99 ele seguiu as orientações do Palácio do Planalto - sendo que, entre 2012 e 2014, ele próprio era porta-voz dessas orientações, como líder do Governo na Casa.

Julio Delgado (PSB-MG), candidato de oposição, também se afastou paulatinamente de Dilma no decorrer do primeiro mandato. Seu índice de governismo era de 90% em 2011, e nos anos seguintes caiu para 88%, 58% e 51%.

"Azarão" na disputa, Chico Alencar (PSOL-RJ) é o mais oposicionista dos candidatos. Ainda assim, se alinhou ao governo em metade das votações entre 2011 e 2014. Ele percorreu o caminho contrário ao de Cunha e Delgado: no primeiro ano de Dilma, votou com o Planalto apenas 23% das vezes. No último, seu índice de governismo subiu para 62%.

Alencar afirma que seu voto segue a orientação da bancada, que leva em consideração o conteúdo do projeto e não sua autoria. O aumento em 2014, explica o parlamentar, é consequência do perfil de projetos apresentados pelo governo. "Nunca tivemos uma conversa com a Dilma. Era ano de eleição e o governo ficou mais à esquerda. Mas depois [de reeleito] o governo retornou a posições conservadoras. Talvez esse ano a gente volte àquele índice de pouca proximidade", afirmou o deputado.

Chinaglia e Delgado foram procurados para comentar o resultado, mas por ora não responderam.

O Basômetro é uma das ferramentas reunidas no Atlas Político Estadão Dados, que foi lançado na semana passada. O portal agrega em um único endereço mapas, infográficos interativos e textos que mostram, por exemplo, quais empresas financiaram as campanhas eleitorais de quais candidatos, como os parlamentares votam no Congresso e as tendências da opinião pública. O Atlas e suas ferramentas terão atualização permanente de conteúdo e pretendem ser uma referência para acadêmicos, políticos e cidadãos. /Colaborou Lilian Venturini

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