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Governante governada

A 'presidenta' que já quis mandar na língua portuguesa. Hoje não manda nem em si

Dora Kramer, O Estado de S. Paulo

04 Outubro 2015 | 05h00

Tempo houve, não faz muito, que Dilma Rousseff pretendia mandar até no uso e costume da língua portuguesa. Exigiu ser chamada de “presidenta”, no que foi atendida por subordinados. Funcionais e mentais. Hoje a presidente Dilma Rousseff já não manda em coisa alguma. Nem no governo nem em si.

Na prática, tornou-se impedida de governar. Em preciso jogo de palavras, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso bem definiu a situação ao dizer que depois dessa nova rodada de negociações com o baixo-clero do PMDB Dilma não governaria, seria governada. 

É de se acrescentar a título de reforço: não preside, é presidida. Por Luiz Inácio da Silva, pelo andamento da Operação Lava Jato, pela vontade dos ditos aliados, pela repercussão de suas ações. A presidente está entregue aos acontecimentos, na realidade, interditada.

O afastamento de Aloizio Mercadante da Casa Civil é um ato que não soluciona. A saída dele não resolve. Na avaliação de colegas de governo e de partido, Mercadante fora da Casa Civil não é uma solução para a crise, mas sua permanência seria garantia do agravamento da situação.

O problema é que na Casa Civil ou na Educação, Dilma vai continuar ouvindo Aloizio Mercadante, seu pior conselheiro.

 

Vida Severina. Por um “pixuleco” de R$ 10 mil mensais pagos pelo dono do restaurante interessado em operar na Câmara, Severino Cavalcanti perdeu a presidência da Casa. A situação do deputado Eduardo Cunha é muito mais complicada. 

Não porque mantenha contas em bancos suíços. Não é proibido depositar dinheiro no exterior. Qualquer pessoa pode abrir uma conta de maneira legal e transparente. Mas um parlamentar não pode mentir sem que o ato se configure quebra de decoro. E Eduardo Cunha mentiu na CPI da Petrobrás ao negar peremptoriamente a existência não de quatro, conforme apontam as investigações, mas de uma conta sequer. 

Se nessas contas estiver depositado dinheiro de origem ilegal, configura-se um crime. Nada menos do que quatro delatores “premiados” afirmaram terem sido intermediários de pagamento de propina ao deputado Cunha. Quando da primeira denúncia, ele fez um escarcéu. Rompeu com o governo e atribuiu ao Planalto uma urdidura contra ele. Criava um factoide a fim de desviar a atenção sobre o fato. 

E fato é que o presidente da Câmara perdeu a condição de presidir a Câmara. Mais não seja até a comprovação das acusações, porque mentiu. Mentira que levou à cassação de Luiz Estevão, no Senado, à renúncia de Renan Calheiros ao posto e à delegação ao ostracismo de figuras como Antônio Carlos Magalhães e Jader Barbalho. 

Quanto mais adiar a renúncia à presidência, mais o presidente da Câmara dos Deputados desgasta a instituição.

Viravolta. Marta Suplicy já foi odiada nas hostes tucanas. Hoje, filiada ao PMDB, é muito bem recebida na oposição. Há gente de altíssimo calibre no PSDB disposta a votar em Marta para a prefeitura de São Paulo, caso o partido de José Serra e Fernando Henrique Cardoso escolha João Dória Júnior como candidato à Prefeitura no lugar de Andrea Matarazzo.

Na pesquisa qualitativa feita pelo partido, Andrea é visto menos como político e mais como administrador capaz de dar conta dos problemas de São Paulo porque é honesto e tem amor à cidade. 

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