Governadores tucanos não chegam a consenso sobre CPMF

Reservadamente, político do partido diz que parlamentares tucanos que hoje são contra a CPMF eram favoráveis ao tributo quando eram governadores

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2015 | 20h08

São Paulo - Enquanto o governo federal tentar recriar a CPMF para reduzir o déficit fiscal, cinco dos seis governadores do PSDB se reuniram nesta terça-feira, 22, no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, para discutir o tema. Segundo relato de um dos participantes, eles não conseguiram chegar a um consenso.

Para conseguir o apoio dos governadores à medida, o governo federal quer aumentar a alíquota para 0,38% -  os 0,18% adicionais em relação à primeira proposta ficariam para estados e municípios.

Reservadamente, um dos governadores presentes disse que parlamentares tucanos que hoje são contra a CPMF eram favoráveis ao tributo quando eram governadores. Ele reconhece, porém, que é difícil defender publicamente a medida.

Depois da reunião no Palácio, que durou cerca de duas horas, os governadores foram juntos ao Congresso Brasil Competitivo, organizado pelo empresário Jorge Gerdau.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), defendeu que é possível aumentar tributos "em momentos excepcionais", mas antes é preciso reduzir despesas e enxugar a máquina  pública.

"Nós defendemos que, em momentos excepcionais, é possível ter aumento de tributos. Mas antes é preciso reduzir despesas. Há 142 empresas estatais que existem desde 1808 no Brasil, sendo que 42 foram criadas no governo do PT", disse o tucano aos jornalistas na saída do evento.

Em sua fala aos empresários, o tucano elencou diversas medidas tomadas por ele para reduzir as despesas de São Paulo: corte de secretarias, fundações, congelamento de cargos comissionados e até a venda de um avião e de um helicóptero do governo.

O governador do Paraná, Beto Richa, que passa por uma grave crise e já aumentou tributos em seu Estado seguiu na mesma linha e disse que "a maioria do PSDB" é contra a recriação da CPMF. O governador do Mato Grosso, Pedro Taques, que filiou-se recentemente no PSDB, foi ainda mais incisivo contra a medida. "Sou contrário a criação de impostos nesse momento de crise".

O governador do Goiás, Marconi Perillo, por sua vez disse que não se manifestará à favor da CPMF porque não é parlamentar e por coerência, já que foi contra a Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira quando era senador.

Perillo evitou, porém, criticar o tributo."Não se trata de ser contra ou a favor. O momento atual exige medidas duras  de caráter arrecadatório. Essa é uma iniciativa do governo federal, que eu respeito".

Por fim, Perillo reconheceu que o compartilhamento da receita da CPMF será "importante para os caixas estaduais e municipais".

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