Governadores tucanos fecham apoio às reformas

Os oito governadores do PSDB reúnem-se nesta segunda-feira em Campina Grande (PB) para unificar o discurso que o tucanato defenderá em Brasília. Está marcada para o dia 30 a última conversa conjunta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os 27 governadores, para tratar das reformas previdenciária e tributária antes da votação das propostas. O encontro dos governadores tucanos será realizado uma semana depois de o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso assumir publicamente sua posição de oposição ao governo Lula, com críticas às reformas petistas e ao excessivo rigor fiscal do Planalto na condução da política econômica. O anfitrião Cássio Cunha Lima (PB) diz que a reunião servirá para reafirmar a posição dos tucanos de colaborar com as reformas previdenciária e tributária. "É muito importante deixar isto claro, para que não haja confusão, principalmente neste momento de críticas de Fernando Henrique às propostas do governo", diz o governador da Paraíba. "Não estamos aqui para fazer oposição ao governo federal", concorda o governador tucano do Tocantins, Marcelo Miranda. "Nós, governadores, temos compromisso com o presidente da República e esta reunião servirá para unificar nosso discurso em defesa das reformas." O governador Geraldo Alckmin (SP) disse que um dos objetivos da reunião é o de trocar experiência. "Em São Paulo, aprovamos as reformas numa linha coerente, mostramos que é possível fazê-las. Infelizmente, dos 61 votos a favor, nenhum veio do PT. Tendo vontade política as coisas caminham", disse. Alckmin afirmou ainda que os governadores vão aproveitar o momento para "afinar a viola". Segundo ele, "oposição não significa votar contra as coisas que são necessárias". "Não há razão para ser contra as reformas. Apoiamos as propostas porque não há apoio pela metade." Os oito governadores tucanos - Geraldo Alckmin (SP), Aécio Neves (MG), Lúcio Alcântara (CE), Ivo Cassol (RO), Marconi Perillo (GO), Simão Jatene (PA), Marcelo Miranda (TO) e Cássio Cunha Lima (PB) - também não perderão a oportunidade de cobrar do governo federal que mantenha os compromissos assumidos com os Estados. Referem-se especialmente à fixação de um teto de R$ 1.058 para a cobrança da contribuição dos inativos do setor público, que os aliados do governo falam em ampliar para R$ 2.400. Radicais - "O presidente me disse que quer passar um pente fino nas reformas para fechar uma posição conjunta com os governadores e acabar com o barulho da própria base para tentar mudar as propostas", conta Cunha Lima. "Tem muito mais oposição às reformas na base do governo do que entre os governadores do PSDB. O grande problema são os radicais da base", completa.

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