Governadores temem isolamento do PSDB em 2002

A principal preocupação dos governadores do PSDB, reunidos ontem à noite com o presidente Fernando Henrique Cardoso, é com o isolamento do partido na corrida presidencial, que poderia ser acentuado pela demora na escolha do candidato e pela ascensão eleitoral da pré-candidata do PFL, governadora Roseana Sarney (MA). ?O presidente Fernando Henrique e a Executiva Nacional do PSDB precisam conversar com o ministro José Serra para saber se ele quer ou não assumir a candidatura. E isso precisa ser feito o mais rapidamente possível?, alertou o governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira. Ante a resistência dos participantes da reunião à idéia de realizar eleições prévias para escolher o candidato tucano, Dante anunciou sua decisão de não participar da pré-convenção do PSDB marcada para 24 de fevereiro. Pelas previsões do governador do Mato Grosso, a pré-convenção não se realizará, por conta da desistência, também, do governador Tasso Jereissati (CE) de concorrer, o que torna o ministro da Saúde, José Serra, o único aspirando do PSDB à candidatura até o momento. ?A pré-convenção não existe mais. O que precisamos é começar logo a campanha. É hora de o PSDB e o candidato montarem uma agenda em busca de votos?, disse Dante. No jantar, o presidente Fernando Henrique Cardoso deixou claro que o encontro não serviria para definir o nome do candidato do partido à Presidência da República, mas para uma reflexão sobre o quadro sucessório. A decretação do estado de sítio na Argentina, porém, dividiu a atenção de Fernando Henrique que, por repetidas vezes, interrompeu a conversa para falar, por telefone, com os presidentes da Argentina, Uruguai e Paraguai, além de autoridades diplomáticas. Apesar de a pré-candidatura única de Serra ter ficado explícita, o governador do Pará, Almir Gabriel, e o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, apelaram para a cautela, chamando a atenção para a necessidade de o partido ser obrigado a buscar novos caminhos, caso Serra não decole nas pesquisas. Eles ponderaram que ainda é cedo para fechar as portas, restringindo a opção tucana ao ministro Serra que, por sua vez, resiste em deixar o Ministério da Saúde para assumir logo sua candidatura. Sem poupar elogios à governadora Roseana Sarney, Fernando Henrique assumiu um discurso de presidente de um governo de coalizão, mas advertiu os tucanos de que é preciso escolher um candidato para 2002 que tenha não apenas densidade eleitoral, mas também condições de avançar nos programas de seu governo. ?É preciso dar continuidade aos programas do governo e do PSDB?, disse o presidente, conforme relato do governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira.

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