Marcos Correa/PR
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Governadores pedem a Bolsonaro mais ações da área econômica para enfrentar coronavírus

Em reunião realizada na manhã desta terça-feira, eles solicitaram mais prazo para o pagamento de dívidas dos Estados com a União

Ricardo Galhardo e Jussara Soares, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2020 | 17h33

SÃO PAULO E BRASÍLIA - Governadores das regiões Sul e Centro-Oeste, que se reuniram com o presidente Jair Bolsonaro na manhã desta terça-feira, 24, cobraram mais ações da área econômica para lidar com a pandemia do coronavírus. Apesar de anunciar um pacote de R$ 88,2 bilhões para o socorro de Estados e municípios, o presidente ouviu dos governadores do Sul pedidos de esclarecimento sobre a distribuição de verbas emergenciais para a Saúde e de suspensão do pagamento de precatórios à União. Além disso, os chefes dos Executivos do Centro-Oeste solicitaram ao presidente que a prorrogação do pagamento das dívidas com a União seja de um ano e não apenas de seis meses, conforme anunciado nesta segunda-feira.

Eduardo Leite (PSDB), do Rio Grande do Sul, e Ratinho Junior (PSD), do Paraná, consideraram a reunião positiva mas fizeram novas reivindicações ao presidente. Só no ano passado o Paraná pagou R$ 1,7 bilhões em precatórios. O Rio Grande do Sul estima que o valor destas dívidas para este ano seja de R$ 600 milhões. 

Leite saudou a mudança de postura do presidente Jair Bolsonaro em relação às medidas de combate ao coronavírus. Segundo ele, no primeiro momento da pandemia a postura de Bolsonaro prejudicou a logística de ações para combate à disseminação do vírus. 

¨O mais importante é saudar a mudança de postura do presidente da República. O presidente teve uma primeira postura que não colaborou na coordenação das ações, ao contrário, fez com que governadores e prefeitos atuassem de forma esparsa e isso gerou uma falta de coordenação que prejudicou a logística no país¨, disse o governador gaúcho em vídeo divulgado ao vivo em suas redes sociais. ¨Agora o presidente chama estas reuniões e isso é saudável¨, completou Leite. 

Além de Bolsonaro e dos governadores, participaram da reunião on-line os ministros Paulo Guedes (Economia), Luiz Henrique Mandetta (Saúde), Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil) e Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura). 

Segundo Leite, Guedes se mostrou aberto a estudar medidas econômicas solicitadas pelos governadores mas o governo não soube responder como serão alocados os R$ 8 bilhões anunciados para a área da Saúde de estados e municípios. Na véspera, governadores das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste já haviam cobrado o detalhamento da liberação dos recursos mas não tiveram resposta. 

De acordo com o governador do Rio Grande do Sul, algumas medidas anunciadas são inócuas, como a suspensão dos pagamentos das parcelas da dívida com a União e bancos públicos, pois, segundo ele, o pagamento destas dívidas já estava suspenso por decisões judiciais

¨O que nós demandamos? Que não apenas as dívidas para com bancos públicos sejam suspensas mas que isso se estenda a organismos internacionais. Que possam ser saldadas as parcelas pela União. O Ministro Paulo Guedes se demonstrou aberto a estas medidas. Foi uma boa e positiva reunião que mostra uma mobilização do governo federal e isso deve ser saudado¨, afirmou. 

Além disso ele pediu a suspensão das transferências de impostos federais como PIS e PASEP e do pagamento de precatórios à União. Não houve resposta às solicitações mas o governo ficou de estudar. 

De acordo com o governador do Rio Grande do Sul, Guedes aproveitou a reunião para enaltecer as medidas fiscais adotadas pelo governo.

¨Paulo Guedes fez questão de frisar que o governo tem artilharia, este foi o termo, tem munição, porque fez reformar importantes e reduziu, por exemplo, a taxa de juros. Isso fez com que reduzisse o crescimento da dívida pública da União e, com isso, que o governo federal tenha capacidade¨, afirmou. 

Ratinho também elogiou a conversa com o presidente. ¨Foi uma reunião muito positiva devido à possibilidade de uma maior integração e planejamento entre todas as áreas, em especial Saúde e Infraestrutura. O Paraná se colocou à disposição para colaborar na área de logística para distribuição de material a toda a região Sul já que fica na divisa com o Sudeste do Brasil¨, disse ele. 

E também a nossa reivindicação em relação ao pacote econômico apresentado ontem pelo ministro Paulo Guedes no sentido de fazer com que seja ampliado o pagamento das dívidas de precatórios. Digo isso porque o Paraná no ano passado pagou R$1,7 bilhão de precatórios. Temos mais R$ 7 bilhões a serem pagos até 2024. 

Segundo ele, os governadores pediram a Mandetta mais detalhes sobre a distribuição dos R$ 8 bilhões e aproveitaram a chance para fazer outros pedidos à área econômica. 

¨Também pedimos a agilidade da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) para liberação dos empréstimos. Temos um empréstimo aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado e liberado pelos bancos e precisamos da aprovação da STN para que estes recursos liberados possam se transformar em obras de infraestrutura e ajudar na economia do nosso Estado¨, afirmou.

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