Governadores elegem aliados em 42% dos casos

Na região Sudeste, todos os quatro conseguiram emplacar seus candidatos

Ana Paula Scinocca, O Estadao de S.Paulo

28 de outubro de 2008 | 00h00

Onze dos 26 governadores de Estado, o equivalente a 42%, conseguiram eleger seus aliados em capitais na eleição municipal. Levantamento feito pelo Estado revela que o Sudeste foi a região em que os administradores estaduais tiveram maior índice de aproveitamento. Lá, os quatro governadores emplacaram seus apoiados.Em São Paulo, José Serra (PSDB) conseguiu confirmar seu aliado, Gilberto Kassab (DEM), à frente da maior cidade brasileira.No segundo maior colégio eleitoral, Minas Gerais, o também tucano Aécio Neves, em uma aliança pouco usual com o PT, conseguiu fazer prefeito de Belo Horizonte o empresário Márcio Lacerda (PSB). No Rio de Janeiro, o governador Sérgio Cabral (PMDB) emplacou Eduardo Paes (PMDB) e no Espírito Santo, o também peemedebista Paulo Hartung viu seu aliado do PT, João Coser, ser reeleito prefeito de Vitória ainda no primeiro turno.Enquanto o Sudeste foi a região com 100% de aproveitamento entre os governadores, as regiões Sul e Centro Oeste foram as mais fracas. No Sul, apenas o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), conseguiu ver seu colega de partido Dário Berger reeleito prefeito de Florianópolis.E no Centro-Oeste o também peemedebista André Puccinelli elegeu Nelson Trad Filho (PMDB).No Nordeste, dos 9 governadores, apenas três conseguiram eleger seus pares. O petista Marcelo Deda, governador de Sergipe, viu seu aliado Edvaldo Nogueira (PCdoB) ser reeleito prefeito de Aracaju.No Ceará, Cid Gomes (PSB) também comemorou a reeleição de Luizianne Lins (PT). Já em Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) viu ser eleito o aliado João da Costa (PT). No Norte do País, apenas os governadores do Acre e do Amapá emplacaram seus aliados. Binho Marques (PT) viu o também petista Raimundo Angelim ser reeleito. No Amapá, Valdez Góes (PDT) comemorou a eleição de Roberto Góes (PDT). O Distrito Federal não entrou no levantamento pois lá não há eleição municipal.Controverso, o fenômeno da transferência de votos se confirmou em alguns Estados, mas não em outros.No maior colégio eleitoral do País, São Paulo, tanto o prefeito reeleito quanto o governador José Serra descartaram que a vitória de Kassab tenha tido influência do tucano. O prefeito assumiu a prefeitura paulistana com a renúncia de Serra em 2006 para disputar o Palácio dos Bandeirantes. Para Kassab, sua vitória se deu em razão da gestão. "Minha vitória se deve à gestão. E a minha boa gestão se deve também muito ao Serra. Não me diminui em nada reconhecer isso", disse o prefeito ao Estado.Tão logo soube do resultado na capital paulista, Serra minimizou sua responsabilidade pelo resultado da eleição. Para o governador, a vitória de Kassab em São Paulo foi a vitória de "um bom governo". Se Serra pode ter ajudado Kassab a ser reeleito, por outro lado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem alto índice de popularidade, não conseguiu agregar votos para sua candidata, Marta Suplicy.

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