Governadores do PT rejeitam 3º mandato

Para eles, projeto político em desenvolvimento no País pelo partido deve ser ?despersonificado?

Luciano Coelho, O Estadao de S.Paulo

12 de junho de 2009 | 00h00

Governadores e ex-governadores do PT reunidos em Teresina se manifestaram contrários à hipótese de um terceiro mandato consecutivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e consideram que o projeto político em desenvolvimento no País pelo partido deve ser "despersonificado".Essa posição foi manifestada de forma enfática pelo governador do Acre, Binho Alves. "Não faz parte dos princípios do PT", ressaltou, ao comentar a proposta de mudar a Constituição para permitir a rerreleição de Lula. Para ele, o projeto político do partido não deve ser materializado numa única pessoa, mas sim ter continuidade. "Absurda, descabida, desnecessária e errada", comentou o ex-governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra sobre a iniciativa. "A prioridade é dar continuidade ao projeto político com a candidatura da ministra Dilma Rousseff."O objetivo do encontro em Teresina é produzir um manual com o modelo petista de administrar. O governador do Piauí, Wellington Dias, anfitrião do encontro, disse que o evento está servindo para troca de experiências, a fim de que a Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, prepare um livro e um DVD que sirvam de modelo para as demais gestões.Além do anfitrião, de Binho Alves e de Olívio Dutra, o encontro reuniu os governadores da Bahia, Jacques Wagner, e do Pará, Ana Júlia Carepa; os ex-governadores do Acre Jorge Viana e do Distrito Federal Cristovam Buarque; o ministro da Previdência, José Pimentel; os vice-governadores da Paraíba, Luciano Cartaxo, e do Ceará, Francisco Pinheiro, além de nomes do PT nacional. O governador de Sergipe, Marcelo Déda, não compareceu, porque estava recebendo o presidente Lula em seu Estado.A discussão não foi apenas sobre o modo petista de administrar. Incluiu também as eleições de 2010. A intenção do PT é manter a base aliada para a disputa presidencial. Para isso, terá de fazer alguns sacrifícios, entre eles abdicar de concorrer ao governo de alguns Estados, em favor de nomes dos coligados. Um dos pontos discutidos é a manutenção do PMDB na base aliada em apoio à candidatura de Dilma. O presidente regional do PT do Piauí, deputado Fábio Novo, disse que a idéia é não abrir mão de candidatura própria no Estado que já for administrado pelo partido.O governador da Bahia, Jacques Wagner, disse que o projeto político do PT está sendo aprovado, mas é preciso ampliar as alianças. "Eu acredito na possibilidade objetiva de uma aliança formal nacional entre o PT e o PMDB. Vamos superar as dificuldades e estaremos juntos", afirmou Wagner.

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