NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Governadores do Nordeste declaram apoio a Dilma e rechaçam impeachment

Em nota, chefes dos executivos estaduais classificaram a abertura do processo como 'absurda tentativa de jogar a nação em tumultos derivados de um indesejado retrocesso institucional'

Anderson Bandeira - Especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2015 | 16h09

RECIFE - Um dia após o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acolher o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT), os noves governadores do Nordeste, região que mais apoiou o PT nas últimas eleições presidenciais, repudiaram nesta quinta-feira, 3, a decisão do peemedebista. Em nota, eles classificaram a abertura do processo como “absurda tentativa de jogar a nação em tumultos derivados de um indesejado retrocesso institucional”. 

A nota diz que o processo de impeachment, "por sua excepcionalidade, depende da caracterização de crime de responsabilidade tipificado na Constituição, praticado dolosamente pelo Presidente da República”. “Isso inexiste no atual momento brasileiro. Na verdade, a decisão de abrir o tal processo de impeachment decorreu de propósitos puramente pessoais, em claro e evidente desvio de finalidade", afirmam o potiguar Robinson Farias (PSD), o maranhense Flavio Dino (PC do B), o paraibano Ricardo Coutinho (PSB), o cearense Camilo Santana (PT), o baiano Rui Costa (PT), o pernambucano Paulo Câmara (PSB), o piauiense Wellington Dias (PT), o sergipano Jackson Barreto (PMDB) e o alagoano Renan Filho (PMDB).

Os chefes de Executivos estaduais do Nordeste provocaram Cunha e afirmaram que, em vez de "golpismo", "o Brasil precisa de união, diálogo e de decisões capazes de retomar o crescimento econômico, com distribuição de renda”.

Leia a nota na íntegra:

"Nota Governadores do Nordeste

'Diante da decisão do Presidente da Câmara dos Deputados de abrir processo de impeachment contra a Exma Presidenta da República, Dilma Roussef, os Governadores do Nordeste manifestam seu repúdio a essa absurda tentativa de jogar a Nação em tumultos derivados de um indesejado retrocesso institucional. Gerações lutaram para que tivéssemos plena democracia política, com eleições livres e periódicas, que devem ser respeitadas. O processo de impeachment, por sua excepcionalidade, depende da caracterização de crime de responsabilidade tipificado na Constituição, praticado dolosamente pelo Presidente da República. Isso inexiste no atual momento brasileiro. Na verdade, a decisão de abrir o tal processo de impeachment decorreu de propósitos puramente pessoais, em claro e evidente desvio de finalidade. Diante desse panorama, os Governadores do Nordeste anunciam sua posição contrária ao impeachment nos termos apresentados, e estarão mobilizados para que a serenidade e o bom senso prevaleçam. Em vez de golpismos, o Brasil precisa de união, diálogo e de decisões capazes de retomar o crescimento econômico, com distribuição de renda.'

Robinson Farias (PSD – Rio Grande do Norte)

Flavio Dino (PCdoB – Maranhão)

Ricardo Coutinho (PSB – Paraiba)

Camilo Santana (PT – Ceara)

Rui Costa (PT – Bahia)

Paulo Câmara (PSB – Pernambuco)

Wellington Dias (PT – Piaui)

Jackson Barreto ( PMDB – Sergipe)

Renan Filho (PMDB – Alagoas)"

Minas. Amigo pessoal de Dilma Rousseff, o governador Fernando Pimentel (PT) afirmou nesta quinta que o pedido de impeachment contra a presidente não pode se aplicar no caso do Brasil. "Só cabe quando há crime de responsabilidade. Dilma é uma pessoa de conduta ilibada. A população brasileira sabe disso. Perdemos um ano com pautas no Congresso Nacional que não interessavam ao País e agora, quando caminhávamos por outro roteiro, vem o pedido de impeachment. Espero que a Comissão (formada para analisar o processo) o recuse. Se não recusar, que o Plenário o faça. Se nada disso ocorrer, que o Judiciário tome essa medida". / COLABOROU LEONARDO AUGUSTO

VEJA A REPERCUSSÃO DO IMPEACHMENT NAS REDES SOCIAIS:

 

 

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