Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Governadores do Nordeste convidam Teich para discutir medidas contra o coronavírus

Encontro deve ocorrer segunda-feira; estratégia é construir uma relação direta com ministro da Saúde para evitar atritos com o presidente Jair Bolsonaro

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2020 | 18h28

Os governadores dos nove estados da região Nordeste enviaram nesta sexta-feira, 17, um convite ao novo ministro da Saúde, Nelson Teich, para discutir políticas de controle à pandemia do novo coronavírus. O ministro respondeu que a reunião será na segunda-feira às 16h.

Na pauta dos governadores estão os repasses de verbas da União para os Estados, abertura de novos leitos de UTIs e aquisição de equipamentos médicos.

A maioria dos mandatários da região é de partidos de oposição ao governo Jair Bolsonaro. Em várias oportunidades eles reclamaram de demora nos repasses e questionaram os critérios para distribuição dos R$ 8 bilhões anunciados pelo ex-ministro Luiz Henrique Mandetta para a área da saúde.

Além disso, estes Estados têm reclamado da concorrência com o governo federal na compra de equipamentos de proteção (EPIs), testes e respiradores. Com base em uma lei aprovada há duas semanas, o governo federal tem requisitado a totalidade dos equipamentos produzidos no Brasil, deixando aos estados apenas a opção de comprar no exterior, onde enfrentam a concorrência de países como os EUA.

Também nesta sexta-feira, o Consórcio do Nordeste enviou ao governo federal a sugestão de que os cerca de 15 mil brasileiros que cursaram medicina no exterior e aguardam a validação de seus diplomas sejam incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS) e possam fazer parte de uma brigada emergencial de combate à covid-19.

Também deve entrar na pauta da reunião, caso Teich aceite o convite, qual será a postura do novo ministro em relação às medidas de distanciamento social adotadas no último mês e alvo de críticas do presidente Bolsonaro.

Na prática, segundo um mandatário ouvido pelo Estado, os governadores querem construir uma relação direta com Teich evitando as disputas políticas com Bolsonaro, que tem tratado os Estados como adversários desde o início da crise.

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