JF DIORIO/ESTADÃO
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Governadores do Ceará e de Pernambuco recusam encontro com Bolsonaro em visita a obra

Presidente inaugura na manhã desta sexta-feira trecho de obra de transposição do Rio São Francisco em Penaforte (CE)

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2020 | 09h12
Atualizado 26 de junho de 2020 | 12h26

Os governadores do Ceará, Camilo Santana (PT), e de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), recusaram um convite do presidente Jair Bolsonaro para participar da inauguração de um trecho cearense da obra de transposição do Rio São Francisco, nesta sexta-feira, 26.

Bolsonaro chamou os dois para sua primeira visita ao Ceará e afirmou, em transmissão nas redes sociais, que o governo federal "não tem oposição". O presidente embarcou pela manhã para agendas em Juazeiro do Norte e Penaforte, onde acompanhará o acionamento das comportas da estrutura.

A sugestão do Palácio do Planalto era para que houvesse uma visita conjunta com Camilo ao local da obra ou pelo menos um cumprimento no aeroporto em Juazeiro do Norte. Na quinta-feira, o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, esteve com o governador em Fortaleza e levou pessoalmente o convite de Bolsonaro.

"Amanhã estaremos com Rogério Marinho, nosso ministro do Desenvolvimento Regional, que é lá do Rio Grande do Norte, inaugurando esse trecho, e convidamos obviamente os governadores do Ceará e de Pernambuco (Paulo Câmara, do PSB) para comparecer conosco ou pelo menos no aeroporto para gente poder bater um papo ali, trocar uma ideia. São governadores de oposição, mas nosso governo não tem oposição. E o povo nordestino merece toda consideração, todo respeito. O meu sogro inclusive é do Ceará, é de Crateús", afirmou Bolsonaro ontem em sua "live" semanal.

 Durante a pandemia de covid-19, Bolsonaro criticou governadores pelas medidas de isolamento social e foi alvo de uma série de críticas – inclusive em cartas assinadas com outros Estados – feitas por Camilo e Câmara.

Pelas redes sociais, o governador do Ceará agradeceu a contribuição de todos os presidentes da República desde Luiz Inácio Lula da Silva, citando Jair Bolsonaro, e afirmou que só vai ao local após a pandemia de covid-19. O Ceará ultrapassou 100 mil casos da doença e registrou 5.895 mortes pela doença até quinta-feira, 25, de acordo com a Secretaria estadual de Saúde.

"Só após superarmos este grave momento de pandemia, que já atingiu mais de cem mil irmãos e irmãs cearenses, deverei voltar ao local da transposição, para ver de perto as águas do São Francisco ", postou Camilo.

Em nota, o governo de Pernambuco disse que recebeu no fim da tarde de ontem o comunicado do Ministério do Desenvolvimento Regional sobre a visita. "Diante de todos os compromissos do governo do Estado no enfrentamento à covid-19 não houve tempo hábil para mandar representante à cerimônia no Estado vizinho do Ceará", diz o texto.

Em julho do ano passado, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), também recusou um convite de Bolsonaro, quando o presidente inaugurou um aeroporto em Vitória da Conquista, no interior do Estado. Na ocasião, o presidente levou para a cerimônia o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), maior adversário político dos petistas na região.

 

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