Reprodução/TV Estadão
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Governadores criticam 'marcha' ao Supremo de Bolsonaro com empresários

Doria e Dino chamaram ato de Bolsonaro de 'equívoco'; 'Lamento que líderes empresariais sérios tenham sido levados a mais uma aventura', disse o maranhense

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2020 | 22h05

Os governadores João Doria (PSDB), de São Paulo, e Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão, criticaram o presidente Jair Bolsonaro por causa da “marcha” ao Supremo Tribunal Federal (STF) ao lado de empresários. O presidente reuniu líderes setoriais nesta quinta, 7, com o objetivo de constranger o presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, ao alertá-lo sobre os riscos de o Brasil “virar uma Venezuela” com os efeitos da pandemia do novo coronavírus sobre a economia. 

Doria chamou a marcha de mais um "equívoco" do presidente. "Hoje (nesta quinta, 7), Bolsonaro cometeu mais um equívoco, levando um grupo de líderes setoriais para conversa com presidente do Supremo para solicitar aquilo que não deve solicitar. A responsabilidade sobre quarentena não é do Supremo nem é do presidente. O Supremo já emitiu sua opinião, corretamente, deliberando que cabe os governadores fazer e atender as quarentenas a seus Estados", afirmou em painel da Brazil Conference at Harvard & MIT. Também participaram os governadores Helder Barbalho (MDB), do Pará, e Renato Casagrande (PSB), do Espírito Santo. 

O governador paulista avaliou ainda que o presidente ainda induziu empresários ao erro no que se refere às indústrias de SP, dizendo que no Estado nenhuma foi fechada durante a quarentena.

"Um lobby inédito”, disse o maranhense Flávio Dino. “É algo nunca antes visto. Lamento que líderes sérios tenham sido levados a mais uma aventura. É um peso do desprezo à vida de milhares de brasileiros. É um dia triste. O presidente consegue fazer ataques à estrutura federativa e à estrutura dos Três Poderes. Ele quis matar a federação e violar os Três Poderes.”

Os governadores criticaram discursos que contrapõem o cuidado com a saúde pública e a recuperação econômica. Dino afirmou que é necessário primeiro se preocupar com a morte de pessoas físicas (CPFs) e depois com os CNPJs, em referência às empresas.

"Não é possível recuperar a economia com cemitérios lotados", afirmou Doria. Barbalho completou: “O Brasil só deve ter um adversário, que é o novo coronavírus. Qualquer outro adversário que a gente escolha nesse momento é um desserviço.”

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