Governadora do RS diz que processará presidente de CPI

Yeda Crusius disse que irá processar Fabiano Pereira da CPI do Detran por insinuações sobre compra de casa

ELDER OGLIARI, Agencia Estado

23 de abril de 2008 | 19h40

A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), anunciou nesta quarta-feira, 23, que processará o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Fabiano Pereira (PT), pelas insinuações que ele fez sobre a compra de uma casa de R$ 750 mil, feita por ela, ao fim da campanha política de 2006. "Ele vai ter de provar o que diz", afirmou Yeda. Ela ainda não decidiu qual o tipo de ação que moverá. Nos próximos dias, Yeda contratará um advogado, com quem discutirá se fará apenas uma interpelação judicial ou iniciará processo criminal ou civil para pedir reparação.O tema da casa de Yeda foi levantado pelo deputado Paulo Azeredo (PDT). No dia 15, em sessão da CPI que investiga fraude de R$ 40 milhões no Detran, Azeredo citou uma informação da polícia indicando que uma residência da rua onde mora a governadora do Rio Grande do Sul teria sido parcialmente paga com resíduos da campanha política, para perguntar ao depoente, o secretário de Governo da prefeitura de Canoas (RS), na Grande Porto Alegre, Francisco Fraga, se ele sabia do caso.A resposta foi não, mas o assunto começou a ganhar corpo. Na quinta-feira, em entrevista à Rádio Gaúcha, Yeda disse que reuniu o dinheiro da venda de um apartamento em Brasília, de um imóvel em Capão da Canoa, no norte do Estado, e de um carro e tomou um financiamento no Banrisul para fazer o negócio, informado nas declarações à Receita Federal. O presidente da CPI do Detran afirmou que os dados da governadora não fechavam com a declaração de bens apresentada na campanha política.Depois de saber que será processado, Pereira disse que nunca fez ataques pessoais a Yeda. "Apenas estranhei que a aquisição do imóvel tenha ocorrido logo após o período eleitoral, com boa parte dos valores à vista, quando as finanças da maioria dos candidatos operam no vermelho", afirmou. "A CPI e o povo gaúcho querem que a governadora explique e não faça ameaças", sugeriu. "Se a explicação for convincente, o assunto fica logo encerrado."PTA bancada do PT na Assembléia Legislativa, composta de dez deputados, solidarizou-se com o presidente da CPI. "Se a governadora quer processá-lo, que processe a todos nós porque endossamos a atuação do presidente da CPI", desafiou o líder do partido na Assembléia, Raul Pont, que considera a atitude de Yeda uma intimidação do governo do Rio Grande do Sul à Casa.A polêmica surgiu no âmbito da comissão em andamento no Legislativo, que tenta ampliar uma investigação da Polícia Federal (PF) que revelou uma fraude de R$ 40 milhões praticada supostamente por dirigentes do Detran, fundações contratadas e empresas terceirizadas. A PF descobriu que a autarquia contratou sem licitação a Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (Fatec), ligada à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em 2003. A Fatec, por sua vez, repassava os serviços de elaboração de provas para emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de motoristas a empresas terceirizadas. Os serviços eram superfaturados e parte do rendimento era repassada a diretores do Detran.

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