Raimundo Paccó/ Frame
Raimundo Paccó/ Frame

Governador tucano nomeia filha para secretaria no Pará

Simão Jatene criou órgão por meio de reforma administrativa; salário de um secretário de governo, descontado os abatimentos, chega a R$ 21 mil

Carlos Mendes, especial para O Estado, O Estado de S. Paulo

19 de março de 2015 | 19h40

Belém - O governador do Pará, Simão Jatene (PSDB) nomeou a própria filha Izabela Jatene secretária Extraordinária de Integração de Políticas Sociais. Essa secretaria não existia na estrutura de governo, e surgiu dois meses depois de o governador extinguir alguns órgãos e fundir outros sob alegação de economia de despesas. A nomeação foi publicada na edição do último dia 13 do Diário Oficial do Estado. O salário de um secretário de governo, descontado os abatimentos, chega a R$ 21 mil.

Depois que se reelegeu para governar o Pará pela terceira vez, Jatene decidiu cortar gastos, reduzindo de 26 para 18 o número de secretarias. Ele também promoveu a demissão de servidores remanescentes da gestão da ex-governadora Ana Júlia Carepa (PT), além de remover dirigentes indicados pelo atual senador Jader Barbalho (PMDB), quando ainda eram aliados.

O deputado Tiago Araújo (PPS), cujo partido é da base de sustentação do governo na Assembleia Legislativa, criticou a nomeação de Isabela, dizendo que isso vem no momento em que o País sai às ruas condenando velhas práticas políticas. "Eu não concordo com isso e essa é a minha posição", declarou Araújo em meio a gravação de um programa de TV para uma emissora de Belém.

Dois opositores do governo, os deputados Iram Lima (PMDB) e Carlos Bordalo (PT), também foram incisivos em condenar a nomeação da filha do governador. Segundo Lima, o PMDB e os outros partidos de oposição estão analisando juridicamente a melhor maneira de contestar a medida tomada por Jatene. Para Bordalo, o governador quis, com a criação da secretaria, "oficializar a permanência" de Izabela no governo, já que anteriormente ela dirigia o Pro-Paz, um programa de assistência a pessoas carentes.

Em nota, a assessoria do governador informou que as secretarias extraordinárias estão previstas na lei nº 6.378, de 12 de julho de 2001, cuja denominação é definida "conforme a necessidade e foco da política pública". Disse ainda que essas secretarias não possuem orçamento próprio. A equipe é composta por sete profissionais, cujo custeio é assumido pela atual estrutura de cargos vinculados à Casa Civil do governo do Estado. "A estrutura, já prevista em lei, foi mantida na reforma administrativa", resume.

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