Governador reeleito de RR é acusado de compra de votos

Ex-governador protocolou no TRE pedido para que Justiça investigue José de Anchieta Junior (PSDB) e seu vice, Chico Rodrigues (DEM)

Loide Gomes, de O Estado de S.Paulo,

16 Dezembro 2010 | 18h49

Derrotado no segundo turno das eleições com menos de um por cento dos votos, o ex-governador de Roraima, Neudo Campos (PP) protocolou nesta quinta-feira, 16, no Tribunal Regional Eleitoral do Estado, duas ações de investigação judicial eleitoral (AIJE) pedindo a cassação do governador reeleito, José de Anchieta Júnior (PSDB) e do seu vice, Chico Rodrigues (DEM). Ele acusa o adversário de compra de votos, uso indevido dos meios de comunicação social, abuso de poder político e abuso de poder econômico.

 

Veja também:

 

som Ouça diálogo com irmão do governador de Roraima

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Parte 4

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som Ouça: primeira-dama de RR é flagrada comprando voto

 

link Leia a transcrição do flagrante da primeira-dama de RR comprando votos

 

som Ouça: Procurador de RR tenta convencer liderança indígena a trocar de lado

 

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som Ouça aúdio do líder indígena denunciando compra de votos

 

As ações são embasadas em gravações feitas por pessoas que participaram de conversas com a primeira-dama, Sheridan de Anchieta, com o procurador-Geral do Estado, Francisco das Chagas Batista, e com o irmão do governador, Janser José Teixeira. Nos áudios, eles oferecem dinheiro, vantagens como a inclusão no programa de transferência de renda a famílias carentes, Vale Solidário, ou a legalização de terras invadidas em troca de votos a Anchieta Júnior.

 

Em uma das gravações, Sheridan conversa com uma mulher e pergunta sem rodeios: O que está faltando pra esse voto fala aí? Depois, faz um pedido: "Pense com carinho aí, resolve esse voto passe pra ele. A senhora não quer resolver agora". Procurada pela reportagem, a assessoria informou que ela estava incomunicável no interior do Estado e que só retorna para Boa Vista nesta sexta-feira.

 

Em trecho de outra gravação, o procurador Chagas Batista, que fez doação para a campanha de Anchieta Júnior, tenta convencer uma liderança indígena do município de Pacaraima a mudar de lado. "Vê a tua proposta aí, que é pra gente levar o pessoal pra marcar uma reunião com restante do pessoal que tem lá", diz.

 

Constam ainda nas ações denúncias documentadas sobre o uso maciço e abusivo da mídia de Roraima, incluindo a Rádio Roraima, emissora pública mantida e administrada pelo governo. Sobre este caso, já corre um processo no TRE com parecer da Procuradoria Regional Eleitoral favorável à cassação de Anchieta.

 

O mesmo uso indevido teria sido feito do Diário Oficial de Roraima, que durante o mesmo período publicou diariamente anúncios institucionais de propaganda do governo e seus principais programas sociais, em página inteira ou de meia página.

 

A advogada de Neudo Campos, Maria Cláudia Bucchianeri Pinheiro, disse que comprovadas as acusações pode ser determinada a imediata diplomação e posse de Neudo Campos e Marília Pinto, que venceram no primeiro turno. "É o que prevê a Resolução 22.992/2009 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), reforçada ainda pelo Recurso contra Expedição de Diploma (RCDE) 671, relatado pelo ministro Eros Grau e já acatado, nesse mesmo sentido, pelo Tribunal", afirmou. O TRE dá posse nesta sexta-feira aos candidatos eleitos em Roraima, em solenidade marcada para hoje à tarde.

 

Após tomar conhecimento da denúncia pela imprensa, a Procuradoria Regional Eleitoral de Roraima anunciou que iniciou uma investigação. Segundo o procurador Ângelo Goulart Villela, o objetivo é verificar a veracidade dos fatos e, caso comprovada, adotar as medidas pertinentes.

 

O vice-governador eleito, Chico Rodrigues, que coordenou a campanha de Anchieta, negou as acusações. Ele disse que os fatos argumentados não passam de "firulas de campanha" e acusou Neudo Campos de ter montado as gravações. "Foi uma campanha dura, mas determinada, com resultado lícito. Na véspera da eleição, o Ibope disse que o Anchieta tinha 51% dos votos e o Neudo 49%, o que se confirmou no resultado final das eleições".

 

Rodrigues afirmou ainda que a assessoria jurídica da coligação foi acionada e deverá pedir perícia para averiguar a autenticidade das gravações.

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