Governador quer Exército no comando da PM

Depois de enfrentar a pior crise do seu governo, provocado pela greve de 13 dias das polícias civil e militar, o governo César Borges (PFL) voltou a defender hoje que o Exército passe a inspecionar e comandar as policiais militares de todo o Brasil. Borges disse que insistirá com os outros governadores e com o presidente Fernando Henrique Cardoso na discussão sobre a necessidade de uma mudança imediata no sistema de subordinação dos policiais militares na Constituição. "Além disso, é preciso vetar que integrantes da corporação se candidatem a qualquer cargo político", comentou.A quebra da hierarquia e a atuação dos partidos políticos de esquerda é que motivaram o motim dos policiais militares baianos, na avaliação do governador, para quem o Partido dos Trabalhadores ajudou a deflagrar o movimento e depois não conseguiu mais controlá-lo. "A Polícia Militar é uma instituição cujos integrantes usam armas e por essa razão eles não podem realizar um movimento dessa gravidade que fizeram na Bahia", reclamou. Apesar de tudo, Borges disse que não pensa em punir os responsáveis pela paralisação. "O momento não é de punição, apesar de a greve ser ilegal, o importante é preservar o estado democrático de direito e a segurança do povo da Bahia", disse.Borges também não pensa em demitir a secretária de Segurança Pública, Kátia Alves (cuja atuação desagrada os policiais), e explicou que ela não integrou a comissão de negociação do governo "para ser preservada". O governador assinalou, contudo, que pretende "repensar o papel da polícia militar, para que ela atue estritamente dentro da Constituição, dos seus regimentos". Ele prometeu se empenhar para que não se repita o episódio ocorrido no Estado.Borges admite prejuízo na imagem da Bahia diante dos outros Estados e do Exterior, mas salientou que a área de turismo não registrou cancelamento de pacotes ou vôos em função dos problemas. "Não se pode arranhar uma imagem de cordialidade e alegria construída nos últimos dez anos (quando o PFL passou a administrar o Estado)", declarou, afirmando que continuará investindo para transformar a Bahia no primeiro destino turístico do País.ReajusteSegundo Borges, o Estado vai cumprir o acordo feito com o comando de greve concedendo um aumento escalonado de 21% mesmo que alguns líderes do movimento tenham declarado que os militares vão rejeitá-lo. "A maioria absoluta quer o aumento e até por uma questão de respeito com a tropa vamos concedê-lo", disse.A secretária da Administração, Ana Bemvinda, disse que o aumento terá um impacto de R$ 40 milhões nos gastos com funcionalismo este ano e R$ 80 milhões em 2002. Além disso, o nível de comprometimento da folha salarial do funcionalismo baiano passará dos atuais 54% para 55% da arrecadação de impostos, dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal, que limita a 60% da receita os gastos com o pagamento de servidores.

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