Governador pede suspensão de ação da PF na reserva

Anchieta Jr. alega que arrozeiros estão dispostos a sair pacificamente, depois de esgotados os recursos legais

Roldão Arruda, O Estadao de S.Paulo

04 de abril de 2008 | 00h00

O governador de Roraima, José de Anchieta Júnior (PSDB), foi ontem à sede do Ministério da Justiça, em Brasília, pedir a suspensão temporária da operação de retirada dos arrozeiros da reserva indígena Raposa Serra do Sol. Mas não obteve sucesso. Na conversa com o chefe do Executivo de Roraima, o secretário-executivo do ministério, Luiz Paulo Barreto, reafirmou a disposição do governo federal de não recuar na ação de retirada - denominada Operação Upatakon 3.Anchieta Júnior disse que os arrozeiros estão dispostos a deixar a área, mas só depois que forem esgotados os recursos legais que apresentaram ao Supremo Tribunal Federal (STF). O secretário-executivo contra-argumentou que desde 2005, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva homologou a reserva, os arrozeiros tentam contestar a decisão no STF. "Em todas as vezes fracassaram", acrescentou.Deputados estaduais de Roraima também enviaram ontem ao presidente da República um manifesto, no qual pedem o esgotamento dos recursos judiciais. O produtor rural e líder dos arrozeiros, João Paulo Quartiero, que esteve na Assembléia para pedir o apoio dos deputados, voltou a dizer que não pretende deixar a área pacificamente."Estamos irredutíveis", afirmou Quartieiro. "Não vamos ceder à truculência da Polícia Federal, a esses brucutus enviados por Brasília. Não defendemos apenas nossas propriedades, mas também o Estado."SANGUEQuartiero estava acompanhado pelo deputado federal Márcio Junqueira (DEM-RR), que apóia os arrozeiros. "Haverá sangue em Roraima se o governo Lula não intervir", disse o deputado, numa referência ao clima de tensão na área.Ontem, uma equipe de reportagem da TV Ativa, de Boa Vista, teve o seu material retido por índios da Aldeia Surumu, situada na entrada da reserva e próxima aos arrozais.Segundo Junqueira, a situação vai piorar. Ele disse que a PF, após enfrentar a reação dos arrozeiros, que incendiaram pontes na região, desembarcou ontem em Boa Vista um veículo blindado, semelhante ao caveirão, usado pela polícia fluminense para entrar em favelas dominadas pelo tráfico. A PF não confirmou a informação.A Operação Upatakon 3 foi iniciada na sexta-feira, mas ainda não foi definida a data para a retirada dos arrozeiros. Por enquanto, a PF continua desembarcando agentes na capital de Roraima. Recrutados em vários Estados, deverão compor uma força de 500 homens. Segundo a assessoria do Ministério da Justiça, integrantes da Força de Segurança Nacional também farão parte do grupo.O coordenador-geral do Conselho Indigenista de Roraima (CIR), Dionito José de Souza, disse ontem que não teme conflitos entre índios - mesmo admitindo que parte da comunidade da Raposa não concorda com a demarcação. "O risco está no lado dos arrozeiros, que estão aumentando as provocações na região do Surumu", disse. COLABOROU CYNEIDA CORREIA, ESPECIAL PARA O ESTADONÚMEROS100 milhectares é o pedaço de terra reivindicado por arrozeiros160 miltoneladas de arroz são produzidas no Estado de Roraima por ano1,747 milhãode hectares é o total da área da reserva Raposa Serra do Sol

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