Governador nega-se a receber mutilados de Eldorado

Acampados há 15 dias em frente ao Palácio dos Despachos, sede do governo do Pará, doze mutilados no episódio de Eldorado dos Carajás denunciam que não conseguem ser recebidos pelo governador Almir Gabriel. Nem mesmo a interferência do acebispo de Belém, D. Vicente Zico possibilitou o encontro. Os mutilados alegam que não estão recebendo tratamento adequado do Estado para se curarem das sequelas em decorrência dos tiros que receberam das tropas da Polícia Militar.No episódio, há cinco anos, 19 sem-terra foram mortos e 69 saíram feridos. Entre os doentes, alguns estão incapacitados para o trabalho no campo e reclamam o pagamento de pensão. Em outro processo, que tramita na Justiça Estadual, feridos e sobreviventes reivindicam indenização.Hoje, um grupo de padres da Igreja Católica anunciou que a partir de terça-feira iniciará uma "greve de fome" em frente ao Palácio. A greve só será suspensa quando o governador receber os mutilados. Além de recusar-se a receber os feridos, o governador determinou que a PM retirasse os manifestantes da frente do Palácio.O advogado do MST, Walmir Brelaz, ingressou com habeas-corpus no TJ para garantir o "direito de manifestação". O padre Adriano Sella, da CNBB, condenou o que chama de "intransigência" do goveno. "O que eles querem é cuidar da saúde e obter tratamento digno, o que lhes está sendo negado".O secretário de governo, Manoel Santino do Nascimento Júnior, argumenta que laudos da perícia realizada a pedido do Estado constatou que alguns dos examinados estavam "fingindo" doença para receber pensão. Santino se dispõe em receber os doentes, mas sua oferta foi recusada. "Este senhor nunca resolveu nada", alega o MST.Rubenita Justiniano da Silva, uma das acampadas, tem sangramento na língua em decorrência de um tiro na boca que recebeu da PM. Outro doente, Carlos Agarito, sangra pelo ouvido. Ele levou um tiro na cabeça.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.