Governador eleito do Rio anuncia corte de 50% nos gastos

O governador eleito do Rio, Sergio Cabral Filho (PMDB), fez nesta quarta-feira a primeira reunião de sua equipe de transição e assegurou que pretende concretizar a meta de cortar 50% do custeio da máquina estadual no primeiro ano de governo (cerca de 3 bilhões). Cabral entregou nesta quarta-feira ao secretário de Receita da governadora Rosinha Garotinho, Antônio Francisco Neto, designado por ela para representá-la na transição, uma lista de 30 itens que solicita informações de ordem financeira, orçamentária, patrimonial e gerencial sobre vários setores do governo. Cabral reconheceu que enfrentará um grande desafio ao herdar de Rosinha aproximadamente R$ 2,4 bilhões em restos a pagar e uma redução de cerca de 10% no montante para investimentos no orçamento do ano que vem, mas diz não querer falar sobre o assunto sem as informações oficiais que receberá de Rosinha. "Será uma transição pacífica, tranqüila", definiu Cabral. Cotado para permanecer na pasta no governo de Cabral, Neto prometeu enviar gradativamente as informações à equipe de transição. O grupo é composto pelo vice-governador eleito, Luiz Fernando Pezão, o suplente de Cabral no Senado, Régis Fichtner, e dois assessores próximos, Wilson Carlos Carvalho e Sergio Ruy Barbosa. Este último será o responsável pelo estudo do quadro financeiro do Estado. Apesar de elogiar Neto, Cabral não adiantou ontem nomes de seu secretariado. Confirmou que os quatro encarregados da transição terão secretarias, mas só definiu até agora o papel de Fichtner: ele será o chefe do gabinete civil. Entre as informações que o novo governador quer estão temas controversos da administração de Rosinha, como os contratos com ONGs que prestam serviço ao Estado. A ligação entre algumas delas e doadores da pré-campanha de Anthony Garotinho à Presidência levou o ex-governador a uma greve de fome. Cabral quer ainda, entre outros pontos, a relação de todas as licitações em andamento, um relatório sobre o fundo de previdência dos servidores (Rioprevidência), um diagnóstico do sistema prisional e o valor pago em gratificações especiais em cada órgão do governo. O governador eleito quer começar a reduzir despesas reduzindo o número de secretarias de 28 para cerca de 17 e cortando cargos comissionados. "Vamos nos pautar em uma política de austeridade, de combate ao déficit para que os serviços públicos possam ser efetivamente realizados. Desde o início da campanha digo que vou trabalhar na direção de um choque de gestão. Não podemos perder o foco", disse ogovernador eleito. A inspiração para a reforma administrativa Cabral vai buscar nesta quinta-feira com o governador reeleito de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), com quem deve almoçar em Belo Horizonte. Na sexta-feira, ele visita o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, também reeleito. Entre as experiências dos dois, Cabral quer buscar informações principalmente sobre segurança pública.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.