Governador do Mato Grosso do Sul chora e critica Minc

O governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), chorou hoje pela manhã, durante discurso proferido na solenidade de abertura do primeiro Fórum de Gestão Pública, em Campo Grande. Puccinelli comentava a proibição, pelo governo federal, da implantação de novos projetos de usinas de álcool na bacia hidrográfica do Alto Paraguai, para proteger a região do Pantanal.

VENILSON FERREIRA, Agencia Estado

17 de setembro de 2009 | 17h53

No discurso, Puccinelli defendeu o zoneamento feito pelo governo do Estado e afirmou que o ministro do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, não vê as razões técnicas do projeto, apenas as ideológicas. Segundo ele, "entregaram o Brasil para os estrangeiros somente pela conquista do selo verde e que se fuzilem Mato Grosso do Sul e Mato Grosso".

Nota divulgada pela assessoria de imprensa do governo do MS relata o argumento de Puccinelli sobre o Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) feito pelo Estado, "que preserva o bioma Pantanal e não irá permitir usina de álcool na região". Puccinelli afirmou que "é proibido o plantio de cana-de-açúcar, pecuária extensiva, só é permitido mesmo o capim natural do bioma pantanal".

Puccinelli disse em seu discurso que na Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai é permitida a atividade produtiva, mas com regras para a utilização. "Queremos plantar cana-de-açúcar que recupera o solo", argumenta, citando estudo do Instituto de Preservação de Controle Climático (IPCC) da ONU, que mostra que para cada um milhão de toneladas de cana é absorvido 1,5 milhão de tonelada de gás carbônico do ar.

A nota oficial também apresenta o argumento do coordenador do zoneamento estadual, Sérgio Yonamine. Ele entende que a atividade econômica permitida na região da Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai não coloca em risco o Pantanal. "Não há liberação total da área, existem regras de preservação e utilização produtiva do território", esclarece.

Yonamine diz que não há divergência entre o zoneamento estadual e o federal. "Tecnicamente, as conclusões que tivemos são as mesmas já que trabalhamos paralelamente. A divergência se deu agora no final por orientação do governo federal. O governador tem debatido esse assunto, mostrando a importância de se preservar a atividade produtiva em consonância com a preservação ambiental. O Estado tem que proteger, colocar regras, mas também tem que se desenvolver", finaliza.

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