Governador do ES se diz vítima de "golpe"

O governador do Espírito Santo, José Ignácio Ferreira (PSDB), afirmou que o pedido de impeachment protocolado na Assembléia Legislativa, por causa das denúncias de corrupção em sua administração, "é uma clara tentativa de golpe no Estado". Ele também declarou que a palavra renúncia "não existe" em seu vocabulário, e disse que está disposto a abrir seus sigilos bancário e fiscal para "provar" sua inocência: "Existe uma luta de poder que revela uma nítida tentativa golpista", declarou. Em entrevista ao Estado, Ferreira também acusou o vice-governador Celso Vasconcelos (PSDB) de tentar destituí-lo do cargo para "abreviar sua chegada ao poder". "Estranhamente ele me agride, sendo o segundo na linha sucessória", declarou Ferreira. "Golpe foi o que ele (Ferreira) deu nos cofres públicos", rebateu a líder do PT capixaba, Iriny Lopes, que assinou o pedido de impeachment. Vasconcelos não foi localizado. Sobre a hipótese de intervenção da direção do PSDB no diretório estadual, conforme declarou o secretário-geral do partido, Márcio Fortes, Ferreira disse que a manobra interessa a "figuras que querem levar o PSDB a apoiar o PPS de Ciro Gomes". O pedido de impeachment foi protocolado por PT, PSB, PSTU, PPS. No relatório da CPI da Propina, que deverá ser concluído em agosto, dez pessoas deverão ser citadas por crimes como formação quadrilha, corrupção passiva, prevaricação, tráfico de influência e falso testemunho. Para aprovar o impeachment, são necessários pelo menos dois terços dos votos da Casa. Com dez dos 30 deputados da assembléia, o PFL será decisivo. O PSDB tem sete e os partidos que pediram abertura do processo, apenas dois votos. Outros partidos de oposição, como PDT, PTB, PMN e PC do B, decidiram optar pelo pedido de intervenção federal no Estado, em vez do impeachment, por entenderem que a linha sucessória está comprometida.

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