Governador do ES prepara contra-ataque

O governador do Espírito Santo, José Ignácio Ferreira (sem partido), está organizando um contra-ataque para tentar barrar o pedido de impeachment contra ele, e já teria conseguido o apoio de, pelo menos, 13 deputados que deverão pedir o arquivamento do processo na próxima votação aberta, marcada para a semana que vem. Ontem, a comissão especial (formada para analisar o pedido de impeachment) aprovou, por 10 votos a 6, parecer pedindo que o processo seja levado adiante, mas, para ter validade, ele ainda precisa ser aprovado em plenário por dois terços dos deputados, o que significa 20 dos 30 parlamentares. Se o apoio dos 13 parlamentares for real, o governador pode conseguir impedir o processo. A reação do governador na Assembléia seria organizada principalmente pelos seis deputados que, ontem, votaram contra o parecer, e ainda tentaram obstruir a sessão. Os dois partidos que lideram o contra-ataque são o PSDB, partido que o governador foi obrigado a deixar há algumas semanas após ser pressionado pela Executiva Nacional, e o PFL, tradicionalmente governista. "Achamos que o pedido não tem consistência. Por isso, votamos contra. O que acontece é uma tentativa de tentar passar o trator no governador", afirmou o deputado Gumercindo Vinand (PSDB). Além de Vinand, estariam no grupo pró-José Ignácio os deputados Camilo Araújo (PSDB), Marcos Gazzani (PSDB), José Tasso (PFL), Mateus Vasconcelos (PFL) e José Loureiro (PFL). Os outros deputados que estariam contra o impeachment seriam Fátima Couzi (PSDB), José Esmeraldo (PSDB), Gilson Amaro (PMDB), Antonio Cavalieri (sem partido), Luiz Carlos Moreira (PMDB), Toninho de Freitas (PMDB) e Geraldo Martins (PMN). O governador teria convidado o "grupo dos 13" para um almoço. "Vários colegas receberam convite para esse almoço. Esse grupo está crescendo, pelo menos é o que se comenta aqui", disse o deputado Gil Furieri (PMDB), relator do parecer da comissão especial. "Se eu fosse o governador, também tentaria pressionar os deputados", confirmou o presidente da Assembléia, José Carlos Gratz (PFL). Vinand, no entanto, mudou de assunto quando foi perguntado sobre o almoço no Palácio Anchieta, e negou ter sido convidado. A assessoria do governador também afirmou desconhecer o encontro, mas disse que reuniões entre deputados e Ferreira são comuns. Assessores dizem que já "contam com a vitória" do governador, tanto na leitura do relatório da CPI da Propina quanto na votação do impeachment. Se o pedido de impeachment for aprovado por dois terços dos deputados na semana que vem, o governador ainda terá um prazo de 20 dias para apresentar sua defesa. É apenas uma nova votação que pode aprovar de vez a denúncia e afastar o governador por 180 dias.

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