Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Governador do DF diz que Sérgio Moro ‘não conhece nada de segurança’

Ibaneis Rocha fez duras críticas ao ministro da Justiça após a decisão do governo federal de transferir para um presidio de segurança máxima de Brasília, o chefe máximo do PCC, Marcola

André Borges, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2019 | 11h28
Atualizado 25 de março de 2019 | 16h49

BRASÍLIA – O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), fez duras críticas ao ministro da Justiça Sérgio Moro, após a decisão do governo federal de transferir para um presídio de segurança máxima de Brasília, o chefe máximo do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

O governador disse que se trata de uma decisão absurda e afirmou que vai procurar o presidente Jair Bolsonaro para que o líder do PCC seja levado para fora da capital federal. “Já pedi à procuradoria para preparar uma ação judicial, com base na lei de segurança nacional. Essa atitude do ministro Moro demonstra que ele não conhece nada de segurança, realmente”, declarou o governador neste sábado, durante visita ao evento “SOS DF Justiça”, que acontece em Candangolândia, no entorno de Brasília.

Ao Estado, o governador do DF disse que não recebeu nenhuma informação antecipada sobre a decisão de a capital federal receber Marcola. “Ontem (sexta-feira) mesmo prendemos pessoas ligadas ao PCC. Isso quer dizer que eles já sabiam que o Marcola viria para cá, antes mesmo de mim, que só fui comunicado disso no próprio dia. É muita falta de respeito, uma atitude totalmente absurda”, comentou.

Ibaneis disse que vai procurar Bolsonaro para pedir a saída imediata de Marcola do presídio localizado no complexo da Papuda. “Essa medida do governo afronta qualquer raciocínio lógico, extrapola, passa dos limites. Vou fazer um escarcéu. Essa pessoa não pode ficar aqui. Essa transferência ofende a lei de segurança nacional.”

Por meio de nota, a assessoria de comunicação do Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmou que não há motivo para alarde. "A situação está sendo acompanhada de perto, e o governo federal está atento à segurança da capital federal, assim como dos 26 Estados da federação. As lideranças do PCC estão presas e com visitas controladas."

O criminoso, que há menos de dois meses estava detido em um presídio federal de Porto Velho (RO), deixou a cidade na manhã de sexta, 22, e foi enviado para a unidade em Brasília. Outros três líderes da facção também foram alvo da mesma operação, um sinal de que o governo pode adotar o rodízio em prisões federais para dificultar a reorganização da cúpula do PCC e planos de fuga.

“Você não pode trazer um criminoso desse quilate, um criminoso que arrasta com ele todo crime organizado. E olha que nós estamos fazendo nossa parte. Vocês viram ontem pela manhã. Nós prendemos sete integrantes do PCC aqui no Distrito Federal”, disse Ibaneis,  no evento, claramente irritado com a decisão do governo federal.

“Nossa Polícia Civil está trabalhando forte. Agora, trazer um criminoso como esse pra cá, a seis quilômetros do Palácio do Planalto? Nós temos mais de 180 embaixadas de representações internacionais. Nós temos os principais tribunais da República, grandes autoridades circulam por aqui. Como é que você traz isso para dentro da capital da República? Isso é o maior absurdo do ponto de vista da segurança que já ouvi falar na minha vida”, afirmou. 

Ibaneis disse que o presídio federal em Brasília “é uma jabuticaba” que só existe no DF. “Em lugar nenhum do mundo você tem um presídio federal dentro da capital da República. Eu vou acionar a justiça, vou procurar todas as autoridades, vou levar ao presidente Bolsonaro o absurdo desse preso estar aqui. Simplesmente você vê um líder do PCC a seis quilômetros do presidente da República. Isso certamente não vai dar certo.”

O governador do DF disse que “não adianta dizer que existe medida de segurança para afastar, porque o crime organizado anda junto” e já está na região. “Eles sabiam dessa vinda para cá e todos eles já estavam aqui. Nós, através de nosso monitoramento pela Polícia Civil, conseguimos prender uma parte dessa quadrilha. Agora, com certeza, a presença de Marcola aqui no Distrito Federal vai fazer com que o crime organizado proceda aqui e na região metropolitana, que não tem policiamento.”

Inaugurada em outubro, a unidade de Brasília é a mais nova administrada pela União e abriga outros presos pertencentes à facção paulista. A operação desta sexta foi coordenada pela Secretaria de Operações Integradas, criada por Sérgio Moro. Marcola e os demais foram levados de Porto Velho por aeronaves da Força Aérea Brasileira. Também participaram da segurança agentes do Departamento de Penitenciário Nacional e do Comando de Operações Táticas da Polícia Federal.

Por meio de nota, a assessoria de comunicação do Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmou que não há motivo para alarde. "A situação está sendo acompanhada de perto e o governo federal está  atento à segurança da capital federal, assim como dos 26 estados da Federação. As lideranças do PCC estão presas e com visitas controladas".

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