Governador do Acre lembra Chico Mendes em posse

Em discurso emocionado, o novo governador do Acre, Binho Marques (PT), foi empossado à 0h55 desta segunda-feira pelo presidente em exercício da Assembléia Legislativa do Estado, Helder Paiva. Antes de iniciar seu pronunciamento, ele pediu um minuto de silêncio pelas mortes dos sindicalistas Wilson Pinheiro, Ivair Igino, João Eduardo e Chico Mendes, todos mortos na luta pela posse de terras no Acre. Sob lágrimas, Marques, que era assessor de Mendes, interrompeu o discurso três vezes ao citar o colega.Durante a cerimônia de posse, o governador do Acre garantiu que seu governo dará prosseguimento aos oito anos de mandato do ex-governador Jorge Viana, de quem Marques era vice. Classificando sua posse como o início de um "terceiro mandato", o novo governador disse que Viana construiu os "alicerces" e que ele deverá erguer as "paredes".Após o discurso de posse na Assembléia Legislativa do Acre, Binho Marques e Jorge Viana deram início à solenidade de transmissão da faixa, no Palácio Rio Branco, sede do governo estadual. A cerimônia foi realizada durante a madrugada para que Viana, que é cotado para ser ministro do segundo governo Lula, viajasse para Brasília onde participará da posse do presidente reeleito.Trajetória políticaO petista Binho Marques tem sua carreira política ligada ao líder sindical e ambientalista Chico Mendes, assassinado em 1988. Professor secundarista, ele participou da construção das primeiras escolas no interior da floresta para a alfabetização dos seringueiros, ao lado de Mendes. "O Projeto Seringueiro", como era chamado o empreendimento, foi o início do movimento de resistência contra a invasão do Acre pelos fazendeiros "paulistas", como eram chamados os pecuaristas que vieram ao Estado nos anos 70, atraídos por incentivos e pela terra barata.Marques, que é de São Paulo, formou-se pela Universidade Federal do Acre (Ufac) e também foi colega e incentivador dos estudos da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.Antes de ser eleito, Binho anunciou que dará continuidade à política de desenvolvimento sustentável, iniciada em 1998. A meta é conciliar a agropecuária com a extração de madeira através de planos de manejo. "Sem ampliar a área desmatada, o rebanho bovino do Acre mais do que dobrou a partir de 98", disse. O rebanho cresceu de um milhão para 2,5 milhões de cabeças, segundo a Federação da Agricultura do Estado. Grande parte dos "paulistas", atualmente, apóiam o Governo da Floresta, como é intitulada a administração petista no Acre.

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