André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Governador de Rondônia depõe à PF

Confúcio Moura (PMDB) foi conduzido de forma coercitiva à sede da entidade para depôr sobre esquema de fraude em licitações

Andreza Matais, O Estado de S. Paulo

20 de novembro de 2014 | 09h20

Atualizado às 22h50

Brasília - A Polícia Federal desarticulou nesta quinta-feira, 20, um esquema de desvio de dinheiro público suspeito de abastecer o caixa de campanha do PMDB que envolveria o governador de Rondônia, Confúcio Moura.

A Operação Plateias investiga organização criminosa formada por lobistas e agentes públicos responsáveis por fraudar e dirigir licitações em Rondônia. O governador foi conduzido coercitivamente à sede da Polícia Federal para prestar depoimento e depois foi liberado. Os agentes federais também fizeram busca e apreensão na casa do peemedebista. O prejuízo aos cofres do Estado é estimado em R$ 57 milhões.

O governador tem como seu principal aliado local o senador Valdir Raupp, que é primeiro vice-presidente do PMDB, maior partido da base de apoio ao governo federal. Raupp não quis se manifestar sobre a operação que atingiu o aliado.

‘Fundo de propina’. A investigação, iniciada em 2012, apurou que empresas interessadas em participar nos processos licitatórios no Estado precisavam doar financeiramente, formal ou informalmente, para campanhas eleitorais. As licitações eram direcionadas para serem vencidas por empresas do esquema. Foi criado até um "fundo da propina", que chegava a movimentar R$ 2 milhões por mês. Os contratos corrompidos ocorreram em secretarias da Saúde e Justiça, entre outras, e superam R$ 290 milhões.

Os mandados da Operação Plateias são cumpridos em Rondônia, Acre, Amazonas, Bahia, Goiás, Pará, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe e no Distrito Federal. Uma das conduções coercitivas ocorre na Espanha.

Trata-se da maior operação da Polícia Federal nos últimos anos em número de mandados. Aproximadamente 300 policiais cumprem 193 mandados judiciais: 163 de condução coercitiva, 26 de buscas e quatro de prisão temporária. A Operação Lava Jato, que investiga esquema de corrupção na Petrobrás, por exemplo, cumpriu 85 mandados judiciais.

Gabinete. Em nota, o governador disse que, "fiel ao ordenamento jurídico vigente e aos princípios republicanos, colocou-se à disposição para prestar estas e outras informações que sejam necessárias ao bom andamento das investigações." De acordo com governador, ele "apoia integralmente e qualquer iniciativa que tenha por fim combater eventuais crimes ao erário público". Na nota, Confúcio afirma que "não compactua com ações criminosas e que agentes públicos que forem considerados culpados pela Justiça devem receber punição exemplar, indistintamente".

A Plateias também alcançou o empresário Marcelo Reis Perillo, que também foi levado pela Polícia para prestar depoimento sobre denúncia de participação. A assessoria do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), informou em nota que "não há relação de parente próxima" com o empresário investigado depois que os dois nomes foram associados e difundidos pela imprensa.

A Polícia Federal também fez busca e apreensão na casa de Marcelo em Goiânia. Ele é sócio numa indústria farmacêutica envolvida no esquema de desvio de dinheiro que teria alimentado campanhas políticas do PMDB em Rondônia. Ele não foi localizado pela reportagem. A operação também investiga o ex-senador e dirigente do PSDB local, Expedito Junior (RO). Ambos foram alvos de mandados de condução coercitiva para prestar depoimentos.

Segundo a PF, foram encontradas irregularidades em contratos das oito secretarias estaduais: Saúde, Justiça, Educação, Desenvolvimento Ambiental, Agricultura, Desenvolvimento Ambiental, Assistência Social, Obras e Serviços Públicos, além da Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia.

Entre os contratos investigados, consta o da construção de uma Unidade de Pronto Atendimento. Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, fraudes a licitações, concussão e corrupção ativa e passiva.

 

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