Governador de PE diz que fatos contra Dilma tornam difícil continuidade do governo

Paulo Câmara (PSB) afirmou que os problemas contra a presidente não são só as pedaladas fiscais, mas 'fatos graves que precisam ser apurados, que precisam ser responsabilizados'

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2016 | 17h54

Brasília – Até então evitando se posicionar claramente sobre o impeachment, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), subiu o tom e afirmou nesta terça-feira, 22, que os fatos contra a presidente Dilma Rousseff são “muito graves” e, se comprovados, tornam “muito difícil” a continuidade dela no governo. Segundo ele, seu partido deverá sair “unido” nesse processo “em favor do Brasil”.

Paulo Câmara lembrou que, em dezembro, criticou a forma como o atual processo de impeachment de Dilma foi aberto. “Porque foi claramente um processo onde a chantagem foi colocada como primeira questão, independente da análise dos fatos”, disse, em referência ao fato de o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ter deflagrado o impeachment em retaliação ao Palácio do Planalto.

“Hoje, não. Hoje tem muito mais fatos em relação ao que foi colocado. Não se trata só de pedaladas (fiscais - motivação jurídica do atual pedido) e sim de outros fatos. Fatos graves que precisam ser apurados, que precisam ser responsabilizados”, disse o governador, sem comentar fatos específicos. Para Câmara, os fatos “são muito graves” e, se devidamente comprovados, “é uma situação muito difícil de se continuar do jeito que está”.

O governador defendeu celeridade na conclusão do julgamento do impeachment. Ele disse que tomará junto com seu partido a “decisão em favor do Brasil”. “O PSB sairá unido”, disse, sinalizando que governadores e senadores, até então apresentando resistência sobre o assunto, poderão apoiar o impeachment. Na Câmara, o líder do PSB, Fernando Filho (PE), já anunciou que a bancada deverá votar unida a favor do impeachment.

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