Governador de AL reforça policiamento após protestos

Teotônio quer evitar mais depredações de policiais civis em greve

Ricardo Rodrigues, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2011 | 00h00

Maceió - O Palácio República dos Palmares, sede do governo alagoano, e os principais prédios da Secretaria de Defesa Social amanheceram cercados por policiais do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar. A segurança foi reforçada por ordem do governador Teotônio Vilela Filho (PSDB), para evitar protestos e depredações como os da semana passada, quando policiais civis atearam fogo na porta do palácio e interromperam o desfile do 7 de Setembro.A segurança também foi reforçada no Instituto Médico Legal (IML) e no Instituto de Identificação, que fica na rua do Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindipol). Os policiais civis estão em greve há mais de 30 dias. Eles ganham cerca de R$ 1.500 e reivindicam equiparação com os peritos criminais, que recebem R$ 3 mil, mas o governo suspendeu as negociações depois dos incidentes.Na sexta-feira, Teotônio cancelou o desfile depois que policiais civis invadiram a pista. A depredação do palácio ocorreu no dia anterior. Além de interromper as negociações, o governador suspendeu o porte de arma dos policiais em greve e mandou punir os responsáveis.Ontem, a decisão de pôr a PM para garantir o funcionamento das instituições e o patrimônio público provocou revolta na Polícia Civil. "Os ânimos estão se acirrando. Se o governo não retomar o diálogo, nós não podemos prever o que pode acontecer", afirmou José Carlos dos Santos, diretor do Sindipol.Ele também reclamou da suspensão do porte de arma. "Enquanto os bandidos se armam, o governador manda desarmar a polícia. Segurança pública é coisa séria, não é brincadeira", criticou. "Em vez de mandar investigar os manifestantes e ameaçá-los com punição, o governador deveria mandar investigar as ações do crime organizado, que continua fazendo vítimas em Alagoas."GREVE CONTINUADe manhã, em assembléia-geral, os policiais civis decidiram continuar em greve, mas evitar conflitos e tentar retomar as negociações com o governo. "Não vai haver confronto. Isto eu garanto", afirmou o presidente do Sindipol, Carlos Jorge. "A PM e a Polícia Civil são coirmãs, mesmo diante do tratamento diferenciado dado pelo governo. A PM teve aumento, a Polícia Civil não. É um erro tratar as polícias de forma diferenciada."Para Carlos Jorge, o governo nunca quis negociar. "O que houve foi enrolação", reclamou. "Temos que ter cabeça diante deste governo. É absurdo, eles denunciam que pegaram um rombo de R$ 400 milhões e não responsabilizaram ninguém até agora. É um dos absurdos."O Sindipol se reuniu duas vezes com a comissão de negociação do governo. Segundo os policiais, não foi apresentada nenhuma proposta concreta, o que revoltou a categoria.

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