Governador de AL depõe sobre compra de rádios por Renan

Testemunha foi sugerida pelo próprio senador, já que Teotônio é adversário de Lyra, ex-sócio que acusa Renan

Agência Senado

06 de novembro de 2007 | 14h35

O governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho, deverá prestar depoimento ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar nesta quarta ou quinta-feira. Em reunião que ocorrerá em caráter reservado, Teotônio dará informações relacionadas ao processo a que o presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros, responde pela acusação de ter comprado e administrado, em parceria com o usineiro João Lyra, mas por meio de laranjas e sem declarar à Receita Federal, duas emissoras de rádio e um jornal em Alagoas. Veja também:Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan   Em entrevista à Agência Senado nesta terça-feira, 6, o relator do processo, senador Jefferson Péres (PDT-AM), lembrou que o depoimento de Teotônio foi sugerido pelos próprios advogados de Renan, mas não o considera necessário para formar sua convicção sobre o caso."É um depoimento completamente desnecessário, mas o acusado tem o direito de arrolar as testemunhas que considerar necessárias",  observou Jefferson. Teotônio disputou o governo de Alagoas nas últimas eleições com João Lyra, adversário de Renan. Em sua defesa prévia, o presidente licenciado do Senado qualifica Lyra como "um homem desacreditado", que perdeu as eleições e a fortuna, e é movido por ressentimentos. Renan também lembra que Lyra é acusado de crimes de ordem tributária e de um assassinato em seu estado. Relatório Na entrevista, Jefferson Péres reafirmou seu propósito de entregar o relatório final, concluindo pela inocência ou pela culpa de Renan, até o próximo dia 14. Disse, no entanto, que ainda não formou uma convicção final sobre o caso, mas que espera receber nos próximos dias os documentos e os resultados das providências que pediu para serem tomadas, o que, acredita, poderá ajudá-lo. O relator espera ainda a resposta a um questionário escrito enviado a Tito Uchoa, primo de Renan acusado de ter sido um dos laranjas na compra das empresas de comunicação. Deve chegar também nesta terça-feira, segundo Jefferson, um memorial prometido por João Lyra, contestando alguns pontos da defesa prévia enviada ao Conselho de Ética por Renan. Jefferson também afirmou já ter recebido da Secretaria de Recursos Humanos do Senado a confirmação de que Carlos Ricardo Santa Rita, apontado pela imprensa como o primeiro laranja de Renan na compra das emissoras de comunicação, é mesmo funcionário do gabinete do senador por Alagoas. Em entrevista à imprensa na última semana, o relator havia dito que, caso Santa Rita fosse mesmo funcionário do Senado, deveria convidá-lo a depor perante o conselho. Nesta terça, Jefferson afirmou que esse depoimento talvez não seja necessário."A investigação já está no final", observou. Na semana passada, Jefferson ouviu o economista e ex-contador de O Jornal, José Amilton Barbosa dos Santos, que confirmou - sem, no entanto, apresentar provas - a existência da sociedade secreta entre Renan e Lyra para a compra de empresas de comunicação, entre elas O Jornal. O relator também colheu o depoimento do juiz da 16ª Vara Criminal de Maceió, Marcelo Tadeu Lemos de Oliveira, autor de notícia crime enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) por meio da qual Lyra é acusado de ter sido o mentor intelectual do assassinato do funcionário da Secretaria da Fazenda em Alagoas Sílvio Viana, que investigava denúncia de crimes tributários praticados pelo usineiro.

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