Governador da Bahia volta a se reunir com grevistas amanhã

Depois de um final de semana de impasse, o governador César Borges (PFL) concordou em voltar a se reunir com o comando de greve da Polícia Militar amanhã às 11 horas na Secretaria da Fazenda do Estado para discutir o aumento salarial da categoria. Os policiais querem um piso salarial de R$ 1,2 mil representando um aumento de 100% na remuneração atual de R$ 600 da categoria. Até o momento, o governo ofereceu um aumento de 10% para toda a tropa. O comando de greve passou o domingo ameaçando recolher aos quartéis os 30% do efetivo que deveria ser enviado às ruas para a retomada das negociações. No entanto, os policiais decidiram "em respeito à população", manter o efetivo mínimo no policiamento até o horário da reunião marcada por Borges. Se houver adiamento, a tropa retorna aos quartéis ocupados. Parlamentares da oposição que acompanham as negociações acham que Borges está tentando ganhar tempo pois o governo estadual não teria condições de aumentar o piso dos policiais para R$ 1,2 mil pois isso desequilibraria as finanças baianas. Governo e grevistas culparam-se mutuamente pelo impasse que resultou no descumprimento do acordo firmado na madrugada de sábado. Pelo acordo, Borges concordou em rever as 68 exonerações de grevistas, libertar os dois líderes do movimento, o sargento Manoel Isodório de Santana e o tenente Everton Uzeda e discutir o aumento salarial numa reunião sábado à tarde, entre representantes das duas partes. Os grevistas, em contrapartida, se comprometiam a colocar nas ruas 30% do efetivo já na manhã de sábado. Contudo, os grevistas não conseguiram mobilizar os 30% alegando dois motivos: primeiro queriam a garantia do Exército que a PM comandaria o policiamento; depois, receber imediatamente os equipamentos (viaturas, armas e munição). Na tarde de sábado, os grevistas conseguiram a garantia do Exército e partiram para mobilizar os grevistas nos batalhões mas poucas viaturas conseguiram ir as ruas até o final da noite. A partir de então, Borges convocou os comandantes dos batalhões para que eles avaliassem se os 30% estavam efetivamente nas ruas, requisito fundamental para a retomada das negociações. Na manhã de ontem, o tenente-coronel Jorge Silva Ramos, chefe do setor de comunicações da PM, explicou que o processo de liberação do equipamento era lento. "Os comandantes fornecem tiquete-combustível, armas e munição e isso tem que ser feito de forma organizada pois são recursos públicos", disse, achando que isso não era um grande empecilho para os grevistas começarem a policiar a cidade. No início da tarde, policiais militares avistaram blindados do Exército entrando na cidade, o que por pouco não provocou um retrocesso. A deputada Moema Gramalho (PT) procurou Ramos para informar que os policiais militares iriam voltar aos quartéis caso os blindados entrassem na cidade. No entanto, depois de uma rápida negociação os grevistas concordaram em deixar os veículos seguirem até o 19.º Batalhão de Caçadores do Exército, onde as tropas estão concentradas. No final da tarde, os comandantes das 23 unidades da PM avisaram ao governador César Borges que o efetivo de 30% estava nas ruas, o que fez com que o governador marcasse a reunião com os grevistas para a manhã desta segunta-feira.

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