Polícia Civil
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Governador da Bahia diz que vídeo de autópsia de miliciano divulgado por Flávio é falso

Segundo Rui Costa (PT), imagens não foram feitas nem no IML baiano nem no Rio de Janeiro; ele cita a falta de marcas de bala como argumento

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2020 | 00h23

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), disse nesta quarta-feira, 19, que o vídeo que o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) atribuiu à perícia de Adriano Magalhães da Nóbrega, o capitão Adriano, é falso. Apontado como chefe da milícia Escritório do Crime e foragido da Justiça, Adriano foi morto por policiais baianos em 9 de fevereiro. 

"São falsas (as imagens). Posso garantir que aquilo não é nem do IML da Bahia nem do IML do Rio. Não são imagens dele. A imagem (verdadeira) do corpo tem uma saída de bala nas costas e as costas dele (corpo que aparece no vídeo) estão lisas", disse Costa.

Segundo o governador, a investigação da morte de Adriano está sendo investigada pelo Ministério Público.

Na tarde desta quarta-feira, Flávio publicou um vídeo de 21 segundos que mostra o corpo de um homem virado de costas sendo examinado. Em uma etiqueta, é possível ler o nome de Adriano e o da cidade de Esplanada, onde ele foi morto.

Junto com o vídeo, Flávio escreveu: “Perícia da Bahia (governo PT), diz não ser possível afirmar se Adriano foi torturado. Foram 7 costelas quebradas, coronhada na cabeça, queimadura com ferro quente no peito, dois tiros a queima-roupa (um na garganta de baixo p/cima e outro no tórax, que perfurou coração e pulmões”.

As informações apresentadas por Flávio não correspondem com dados da Secretaria de Segurança Pública da Bahia. O laudo elaborado pelo Instituto Médico-Legal de Alagoinhas, a 135 quilômetros de Salvador, aponta que capitão Adriano foi morto por dois tiros de fuzil, disparados a, no mínimo, um metro e meio de distância.

A perícia menciona ainda “seis fraturas nas costelas”, “dois pulmões destruídos” e o “coração dilacerado”. Não há menção à coronhada ou à queimadura, e os tiros não teriam sido disparados à queima-roupa, como escreveu Flávio. Os ferimentos seriam compatíveis com o impacto no corpo causado por tiros de fuzil, em razão da alta energia cinética dos projéteis.

A suspeita de execução foi levantada em uma reportagem da revista Veja, publicada antes da divulgação da autópsia oficial. Nela, as supostas coronhada e queimadura são mencionadas e especialistas ouvidos pela revista apontam a possibilidade de os disparos terem sido feitos à queima-roupa. A etiqueta que aparece no vídeo divulgado por Flávio é a mesma que aparece nas fotos obtidas pela Veja.

Logo após a publicação do vídeo, o secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, disse que a autenticidade das imagens não era reconhecida pela perícia da Bahia e nem pela perícia do Rio de Janeiro.

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