Governador da BA vai a FHC pedir ajuda do Exército

O governador da Bahia, César Borges (PFL), viajou às pressas para Brasília para pedir ao presidente Fernando Henrique Cardoso a imediata liberação das tropas do Exército para restabelecer a segurança no Estado, abalada hoje com uma série de assaltos, saques e arrastões em Salvador. Os moradores da capital estão trancados em casa e bancos, escolas e o comércio estão fechados. Os ônibus também pararam de circular. O general Alberto Cardoso, ministro-chefe de Segurança Institucional da Presidência da República tentou negociar o fim da paralisação com representantes dos grevistas, mas eles não abrem mão do atendimento de pelo menos duas reivindicações, a revisão das 68 exonerações e a libertação do tenente Everton Uzeda e do sargento Manoel Isidório de Santana, líderes do movimento. Além disso os grevistas querem um piso salarial de R$ 1,2 mil, representando um aumento de 100% do atual.15 minutosVárias reuniões foram realizada hoje entre o comandante da 6ª Região Militar, general Barros Moreira, a secretaria de Segurança Pública Kátia Alves, o comandante da PM coronel Jorge Souza e delegados civis que coordenam o policiamento no Estado para planejar o envio dos soldados às ruas com ações orientadas por policiais civis. Moreira revelou ter capacidade de mobilizar a tropa 15 minutos após receber a ordem do comando do Exército em Brasília que depende do sinal verde do presidente Fernando Henrique Cardoso.Ao viajar para Brasília o governador deixou um estado em caos. O assalto, por volta das 10 horas, a uma agência do Banco do Estado da Bahia (Baneb) no Centro Administrativo, onde ficam a Governadoria e as Secretarias de Estado fez com que várias agências bancárias fechassem suas portas. A orientação foi do Sindicato dos Bancos diante da greve das polícias e dos vigilantes.FeriadoAgências do Sudameris, Citibank, Mercantil, Caixa Econômica e Banco do Brasil seguiram a orientação e ao meio-dia, praticamente não existia banco aberto na capital baiana. Os comerciantes do centro de Salvador seguiram o mesmo caminho e o clima é de feriado. Desde quinta-feira as escolas com turno noturno já haviam suspendido as aulas.A greve atingiu também o setor penitenciário, com a adesão dos 380 policiais militares do Batalhão de Guarda dos presídios baianos. Por causa disso, os agentes penitenciários decidiram manter, ontem, os quase mil presos da Penitenciária Lemos Brito, a maior do Estado, nas celas, proibindo também as visitas de parentes.Na cidade de Feira de Santana, a 108 quilômetros de Salvador, diante da adesão dos militares do primeiro Batalhão da PM à greve, o coronel Pedro Boaventura, comandante da unidade, requisitou a tropa de reação, considerada a mais preparada da Bahia, para fazer a sua segurança e de outros oficiais no quartel onde decidiu permanecer. "É uma tropa que está instruída, que só age sob nosso comando e faremos de tudo para que uma tragédia não venha a acontecer", disse, insinuando que resistirá a qualquer tentativa de invasão no quartel pelos grevistas.Ranço carlistaO presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Álvaro Gomes, que cedeu a sede da entidade para o comando de greve dos policiais, mostrava-se preocupado com o rumo dos acontecimentos. "Isso é provocado pela irresponsabilidade do governador César Borges que se nega a negociar com os grevistas; o Estado está sem comando, deixando a população psicologicamente abalada", afirmou.Segundo Gomes, Borges não consegue se desvencilhar do "ranço carlista", ou seja, a mesma intransigência com que o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL), governador por três vezes na Bahia, sempre tratou greves do funcionalismo. "Quanto mais ele radicaliza ocorre mais adesão à greve", disse.

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