Governador da BA defende Negromonte: 'O pessoal tem é muito ciúme da Bahia'

Padrinho político do ministro, Jaques Wagner (PT) rebateu acusações contra o titular das Cidades; evento do Minha Casa, Minha Vida em Salvador acabou virando um ato de desagravo

Tiago Décimo, correspondente de O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2011 | 17h29

SALVADOR - O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), fez uma veemente defesa do ministro das Cidades, Mário Negromonte (PP), seu apadrinhado no governo federal, durante a solenidade nesta sexta-feira, 25, de anúncio da segunda etapa do Programa Minha Casa, Minha Vida no Estado. "Quero externar publicamente e politicamente a mais profunda solidariedade contra esse ataque constante que você vem sofrendo", disse, durante seu discurso no evento. "O pessoal tem é muito ciúme da Bahia. Falam que tem muito ministro baiano, então toda hora dizem que um vai cair. Mas, se Deus quiser, a energia baiana vai segurar todos vocês lá."

Wagner rebateu algumas acusações. Uma delas, a relativa ao suposto tráfico de influência de Negromonte para captação de recursos para a realização da Festa do Bode, no norte da Bahia, foi definida pelo governador como "ridícula". "Também me pedem para ajudar eventos, como o São João", afirma. "Se eu não tiver, vou pedir à Petrobras, ao Banco do Brasil, à Caixa Econômica. Aí, o responsável chega lá e me faz um agradecimento - e caboclo acha que isso é mau uso de dinheiro público. Você percebe que caboclo quer pegar uma filigrana para criar um problema."

Sobre a suposta fraude na alteração do projeto de mobilidade urbana de Cuiabá, Wagner disse não ter conhecimento suficiente do caso, mas comentou da mudança de modal de transporte do projeto de mobilidade de Salvador - que também foi alterado de BRT para trilhos (no caso, metrô de superfície). "No caso da Bahia, se tiver algum culpado por esta modificação chama-se governador Jaques Wagner, então, quem teria de ser atacado, se fosse o caso, seria eu, porque quem brigou para ser metrô fui eu, não o ministro", alega. "Ele (o ministro) até ficou falando: ''governador, será que a gente vai conseguir dinheiro para fazer isso?'' e eu disse ''vamos escolher o que a gente acha melhor e depois vamos brigar por dinheiro''. Mudei de BRT para metrô porque o metrô é o melhor meio de transporte para grandes aglomerações urbanas, como é Salvador", disse.

Para o governador, as acusações contra Negromonte são inéditas. "É a primeira vez que vejo algo assim. Não tem edital, não tem contrato assinado, não tem obra feita e já tem pressuposição de problema", diz. "Não tem licitação, não tem nada assinado, não tem nada pago e caboclo já está dizendo que alguém está roubando". Wagner também disse que não faz sentido alegar que a mudança do modal de transporte é feita para favorecer empresas ou grupos específicos. "Quem vai construir a obra, seja de BRT, seja de metrô, vai ser um empreiteiro", argumenta. "De um lado, alguém vai vender trem, de outro, vai vender ônibus de BRT. Então, qual é a coisa errada nisso?".

O evento do Minha Casa, Minha Vida em Salvador acabou virando um ato de desagravo a Negromonte. Além de Wagner, prestaram solidariedade ao ministro, em seus discursos, o presidente da Assembleia baiana, Marcelo Nilo (PDT), e o presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Luiz Caetano (PT). Negromonte se emocionou ao cumprimentar Nilo em seu discurso. "Quero dizer que você é um grande amigo", disse, antes de perder a voz. "Obrigado pela solidariedade. Fique certo que eu jamais irei decepcionar os amigos, o povo da Bahia ou meus familiares".

Após o evento, Negromonte disse ter chorado por ser "muito emotivo". "Tenho seis mandatos de vida pública, não tenho um processo nas minhas costas, não tenho uma mancha na minha vida pública", diz. "Fui denunciado diversas vezes e não acharam nada. Vasculharam minha vida pessoal dos pés à cabeça, vasculharam minha gestão no Ministério das Cidades, minha família, meu filho (o deputado estadual Mário Negromonte Jr.), minha esposa (a prefeita de Glória, no extremo norte baiano, Ena Vilma Negromonte), e não acharam nada. Estou testado e aprovado".

 

 

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