Fábio Motta/AE
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'Gostaria sempre de estar no palanque' com Ciro, diz Dilma

Declaração vem em meio às pressões para unificação de palanques e após deputado reafirmar candidatura

Luciana Nunes Leal e Kelly Lima, Agencia Estado

03 de fevereiro de 2010 | 15h04

Um dia depois das declarações do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) de que manterá a candidatura à Presidência da República, a pré-candidata do PT, ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), fez muitos elogios ao parlamentar e disse que gostaria de estar sempre no mesmo palanque que ele.

 

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Ela lembrou, no entanto, que uma possível desistência de Ciro cabe exclusivamente ao deputado. "Tenho uma relação muito forte com o deputado Ciro Gomes. Convivi diariamente com ele no primeiro governo. É uma pessoa leal, correta, inteligente, capaz. Gostaria sempre de estar em palanque com ele, mas é uma decisão que não é minha", afirmou a ministra em entrevista, depois de participar, ao lado do presidente Lula, da inauguração do Gasoduto Cabiunas.

 

Dilma voltou a destacar que ainda não foi oficializada como candidata pelo PT, o que acontecerá no encontro nacional do partido, entre os dias 18 e 20 deste mês.

 

"Ninguém é candidato de si mesmo. Não vou colocar o carro na frente dos bois", afirmou a ministra. Ela afirmou que a pesquisa do Instituto Sensus divulgada esta semana, que indica seu crescimento nas intenções de voto, é apenas o retrato do momento. "Nós mulheres especialmente sabemos que salto alto não é bom", brincou a ministra.

 

Com Ciro na disputa, Dilma chega bem perto do provável candidato do PSDB À Presidência, o governador de São Paulo, José Serra. Segundo a pesquisa realizada entre os dias 25 e 29 de janeiro, ela tem 27,8% das intenções de voto e Serra, 33,2%, o que, com a margem de erro de 3 pontos porcentuais para cima ou para baixo, indica um empate técnico. Ciro fica em terceiro lugar, com 11,9%, e a senadora Marina Silva (PV) em quarto, com 6,8%. No cenário sem o nome do deputado, no entanto, serra ultrapassa os 40%, o que poderia lhe garantir uma vitória já no primeiro turno.

 

Ainda assim, o governo prega a união da base aliada no palanque da ministra da Casa Civil, com o objetivo de polarizar a disputa. Para o comando da campanha petista, a transferência de votos de Ciro para Dilma se dará naturalmente, quando os dois pré-candidatos alinharem o discurso.

 

Para o deputado, no entanto, o presidente comete "grave erro" quando avalia que sua desistência beneficiaria Dilma. "O santo Lula nesse assunto está errado", afirmou ele, em entrevista publicada no Estado desta quarta. Ao retornar das férias, o deputado avisou que resistirá à pressão do Planalto. "Mantenho a minha candidatura à Presidência da República."

 

Discurso de campanha

 

No discurso de inauguração do gasoduto, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Dilma usou frases de efeito e falou em tom de campanha. "É mais Brasil para mais brasileiros", afirmou a ministra após traçar um cenário para o desenvolvimento do Brasil.

 

"Estamos aqui lançando um gasoduto. Mas não é apenas um gasoduto. Está ligado, por exemplo, ao projeto Minha Casa, Minha Vida", disse a ministra, relacionando o fato de que o gasoduto gera empregos "e estas pessoas precisam ter onde morar e onde se especializar. E quando as pessoas tem melhores condições sociais, como temos visto recentemente, consomem mais energia", disse.

 

A pré-candidata do PT à sucessão presidencial citou como exemplo a redução de IPI para eletrodomésticos: "Muitos compraram ar-condicionado, aumentando o consumo de energia e, com isso, elevando a necessidade de segurança na geração."

 

Dilma destacou a importância do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para o desenvolvimento de todos os setores em conjunto. "O PAC não é como muitos dizem, lançamento de pedra fundamental, ou inauguração de placa, mas sim uma combinação de esforços do governo brasileiro para fazer obras que há muito deveriam ter sido feitas", afirmou, lembrando que "o PAC trouxe grande impulso para obras que estavam faltando no Brasil, projetos que não iam para frente, que estavam paralisados".

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