MARCOS ARCOVERDE/ESTADÃO
MARCOS ARCOVERDE/ESTADÃO

'Golpistas não passarão', diz presidente do PT sobre processo de impeachment

Rui Falcão se manifestou em rede social sobre decisão do presidente da Câmara de acatar pedido de afastamento de Dilma; partido já dava abertura do processo como certa

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2015 | 21h44

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, recorreu a uma frase que remete à Guerra Civil espanhola (1936-1939) para se manifestar, nesta quarta-feira, 2, sobre a decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de aceitar a abertura de um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

“Golpistas não passarão”, escreveu Falcão em uma rede social com a marcação #NãoVaiTerGolpe.

O canal usado pelo presidente do PT foi o mesmo no qual ontem Falcão anunciou que apoiaria a continuidade do processo que pode levar à cassação de Cunha no Conselho de Ética da Câmara.

Antes mesmo de Cunha fazer o anúncio a direção do PT já dava como certa a abertura do processo de impeachment.

“Temos que encarar. Não podemos viver sob ameaça e chantagem”, disse Jorge Coelho, um dos vice-presidentes da legenda.

A certeza do PT vinha do fato de a bancada do partido na Câmara ter decidido, no início da tarde desta quarta-feira, fechar questão em favor da continuidade do processo contra Cunha, contrariando acordo fechado entre o governo e o presidente da Câmara.

Segundo dirigentes do partido, tanto o posicionamento de Falcão quanto a decisão da bancada foram ações calculadas que já levavam em conta o cenário do processo de impeachment.

Antes de publicar a mensagem defendendo a continuidade do processo contra o presidente da Câmara, Falcão, conversou por telefone com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo relatos de interlocutores do ex-presidente e do dirigente petista, que estava no interior do Acre na terça-feira à tarde, Lula disse que a direção do partido tinha autonomia e discernimento para decidir sobre o assunto. Conforme integrantes da cúpula petista, “Rui não faria nada em discordância com Lula”.

Falcão sabia que a decisão de apoiar o processo contra Cunha seria o estopim do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff mas vinha sofrendo forte pressão da base partidária. De acordo com dirigentes do PT, desde o início da semana militantes de todo o País telefonavam para a sede do partido ou mandavam e-mails pedindo que a sigla se posicionasse frontalmente contra o peemedebista sob o risco de o partido perder de vez as condições de reabilitar a imagem combalida por intermináveis denúncias de corrupção.

O presidente do PT vinha se esquivando das cobranças para reunir a Executiva Nacional do partido e deliberar sobre a orientação que a direção daria aos três petistas que integram o Conselho de Ética.

Na última reunião, no início de novembro, a Executiva havia determinado que a bancada do partido no colegiado votaria unida seguindo ordem da direção.

A cúpula petista acreditava que não seria necessário se posicionar formalmente, o que poderia levar Cunha a deflagrar o processo de impeachment. Para vários dirigentes e parlamentares, o peemedebista “cairia sozinho” diante das fortes denúncias de corrupção reveladas pela Operação Lava Jato e da pressão da opinião pública.

O quadro mudou na terça-feira, quando ficou claro que os votos petistas seriam decisivos para determinar o destino de Cunha e a pressão sobre os três representantes do partido se tornou insuportável, ao ponto de um deles, Zé Geraldo (PT-PA) dizer que iria votar “não com uma faca mas com uma metralhadora no pescoço”.

Recurso.  "Essa foi uma atitude revanchista do presidente da Câmara", afirmou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS). "O anúncio é resultado do abuso de poder que o presidente da Câmara vem praticando desde que assumiu a Casa. O argumento justificado por ele não se sustenta", disse o deputado Wadih Damous (PT-RJ).

O petista ressaltou que, se preciso, o PT "baterá a porta do Supremo" para barrar o processo. "Cunha, associado a partidos da oposição, que dar o golpe", afirmou, lembrando que a sigla estudará medidas internas para barrar o processo também no plenário da Câmara. COLABORARAM IGOR GADELHA, DAIENE CARDOSO E DANIEL CARVALHO

 

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