Goldman pede Serra no 2º turno para aprofundar debate

O almoço promovido hoje em São Paulo pela Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil para ouvir as propostas de governo do candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, virou espaço de apelo para levar a disputa presidencial para o segundo turno. "Acreditamos piamente que vamos chegar em condições de disputar o segundo turno", reforçou o governador paulista, Alberto Goldman (PSDB), em seu discurso.

DAIENE CARDOSO, Agência Estado

17 de setembro de 2010 | 18h27

Goldman disse que o principal problema da candidatura da petista Dilma Rousseff é que ela é uma desconhecida. "Qual foi a obra, o serviço, o ovo que ela pôs em pé? Eu não conheço. Só sei que ela é a ''muié'' (sic) do Lula", ironizou. De acordo com o governador, Dilma foi escolhida "por um imperador", que não teria explicado o motivo de sua escolha. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), também participou do evento.

Convidado para representar Serra, o coordenador do plano de governo da campanha, Xico Graziano, disse que o Brasil passa por um momento difícil porque foi dominado por um "Estado policialesco e aparelhado por partidos políticos". "É preciso ter conteúdo e experiência para governar o País", disse ele, ao defender a ida de Serra para o segundo turno. "E quem achar que não (chegará ao segundo turno), que pague para ver", completou.

Pesquisas

Para o governador paulista, as pesquisas ainda não refletem as chances de Serra porque os eleitores deixam para definir o voto nos últimos dias da campanha. Ele acredita que um segundo turno pode permitir o aprofundamento do embate entre os candidatos e que o eleitor não fará voto útil. "Isso não existe. O cidadão não vota naquele em que ele acha que vai ganhar", teorizou.

Goldman destacou que o País não cresce no mesmo ritmo que outras nações em desenvolvimento, como a Índia. "Por que isso? O problema é a condução da direção do País", disse.

Em seguida, defendeu que a política pública deve ser "ilibada e limpa", com respeito aos direitos humanos e à liberdade de expressão. "Não consigo imaginar a comparação da conduta ética do governo de São Paulo com esse governo de nível federal", afirmou ele, referindo-se aos escândalos na Casa Civil. "Não dá para a gente arriscar. Um erro agora faz o País pagar por quatro anos."

O presidente da Câmara Portuguesa, Manuel Tavares de Almeida Filho, também apelou por um segundo turno por considerar importante aprofundar a discussão. "A minha oposição é imparcial e apartidária", reiterou.

Plano de governo

A um grupo de empresários convidados para o encontro, Graziano disse que os tucanos reconhecem que o País "não andou para trás", mas que poderia "avançar mais". O tucano atacou a atual política de comércio exterior que, num eventual governo do PSDB, teria prioridade com a vinculação da Câmara de Comércio Exterior (Camex), hoje ligada ao Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, diretamente à Presidência da República.

"Estamos nos especializando em ser exportadores de commodities", afirmou. Graziano também criticou o governo Lula pela, segundo ele, falta de investimento em saneamento básico e falta de mão de obra qualificada.

Graziano e Goldman defenderam a adoção de Parcerias Público-Privadas (PPPs) no Brasil, em que o governo federal deixaria de ser operador. "Tem que fazer concessões, parcerias. Precisamos trazer o setor privado", disse Goldman. Graziano defendeu que a experiência paulista com as PPPs seja repetida em âmbito federal. "É algo que deve ser levado adiante no País."

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