Goldman: crítica de Lula é perigosa para democracia

O governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), afirmou hoje que as críticas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva têm feito à oposição é uma "atitude muito perigosa para quem quer viver num regime democrático".

GUSTAVO PORTO, Agência Estado

14 de setembro de 2010 | 17h53

O tucano, que está em Ribeirão Preto, disse que os ataques feitos recentemente por Lula podem reconduzir o Brasil a uma ditadura. "Espero não ter de viver novamente numa época em que eu tenha de combater uma nova ditadura", afirmou. A crítica do governador deve-se a declaração de Lula, feita na noite de ontem, segundo o qual é preciso "extirpar" da política o DEM, aliado do PSDB.

Perguntado se a ditadura a que se referia seria de esquerda, o governador paulista completou: "Para mim, é de direita". Goldman afirmou ainda que as estocadas de Lula não são atitudes de quem quer vencer uma eleição, mas de destruir os eventuais opositores. "Ele procura destruir todos aqueles que durante esses anos se contrapuseram ou tinham opiniões diferentes", disse.

As críticas de Goldman foram feitas durante o lançamento de novas variedades de cana-de-açúcar e de ampliação do Centro de Cana do Instituto Agronômico (IAC), na cidade do interior paulista. O tucano dedicou boa parte do discurso, feito no evento, justamente para rebater críticas feitas por Lula aos tucanos em um comício na semana passada, em Ribeirão Preto.

Privatização

No ato, realizado na última quinta-feira, 9, o presidente disse que o PSDB não tinha competência para governar e que, quando estava na Presidência da República, queria privatizar o Banco do Brasil (BB), a Petrobras e a Caixa Econômica Federal. Na avaliação do governador, "nunca houve essa intenção" de privatizar o BB ou a Caixa.

Goldman lembrou que, quando era parlamentar, foi relator de lei que alterou a política de investimento em petróleo no País e que, na época, os partidos de oposição, com destaque ao PT, levantaram a questão sobre a possível privatização.

"A intenção do governo é que outras empresas participassem da exploração". "Por isso fui ao então presidente Fernando Henrique Cardoso, que escreveu uma carta ao Congresso Nacional negando a intenção de privatizar a Petrobras", disse. "O resultado disso foi que houve um grande capital agregado a Petrobras e grande parte dos recursos, hoje, do pré-sal, veio desse capital", acrescentou.

Pedágios

Goldman rebateu ainda críticas feitas pelo presidente sobre o preço dos pedágios em São Paulo. No comício realizado na semana passada, Lula comparou os custos dos trajetos realizados em vias do complexo Anhanguera-Bandeirantes, concedido pelo governo estadual, e da rodovia Fernão Dias, concedida pelo governo federal.

Para justificar a diferença do custo por quilômetro, que chega a ser sete vezes superior na estrada estadual em comparação com a federal, o tucano relatou que os investimentos feitos nos complexo Anhanguera-Bandeirantes são de R$ 25 milhões por quilômetro, enquanto na Fernão Dias é de R$ 1 milhão por quilômetro. "É verdade que o pedágio em São Paulo é mais caro, mas o pedágio na Fernão Dias é apenas para tapa-buraco", disse. "Portanto, não somos tão incompetentes como alguns querem fazer crer que sejamos".

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