Goldman: 'A era Serra não chegou ao fim'

Em entrevista à Agência Estado, governador de SP faz balanço de mandato

21 Dezembro 2010 | 10h40

Em entrevista à Agência Estado, o governador Alberto Goldman faz um balanço dos seu 250 dias à frente do governo paulista e nega que a "era Serra" tenha chegado ao fim no PSDB, com a derrota do presidenciável para Dilma Rousseff (PT) nas últimas eleições. "O Serra tem um papel importante para o PSDB. Ele teve, tem e terá", diz.

 

Há quase nove meses no Palácio dos Bandeirantes, como o senhor avalia a sua gestão?

 

Um governo de nove meses não pode se dar ao luxo de querer inventar. Ele é parte, eu sou parte de um governo de quatro anos. Sempre numa linha da mais absoluta continuidade. Até porque eu participei das decisões anteriores. Portanto, o meu governo nada mais é do que o governo liderado pelo José Serra.

 

Em que áreas o sr. acredita que poderia ter feito mais?

 

Eu ampliaria, na questão da infraestrutura, o papel do Estado. Traria para o Estado responsabilidades que são hoje do governo federal, como sobre aeroportos e portos. O fato de você não ter essa competência nessas áreas limitou a nossa capacidade de desenvolvimento.

 

O sr. ficou decepcionado com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, por não ter respondido aos ofícios que pediam a concessão para construção de um novo aeroporto em São Paulo?

 

Não fico decepcionado com nada do governo federal. Nunca esperei nenhuma ação positiva do governo federal, que é omisso, lento, inconsistente, contraditório, e sempre trata o Estado de São Paulo como um Estado que, por si só, resolve-se. Meio fora do mapa do Brasil. Portanto, não dá nem para ficar decepcionado.

 

O sr. foi um líder combativo da sua legenda no Congresso Nacional. Qual é o seu papel hoje no PSDB?

 

Não tenho a menor ideia (risos). Acho que o partido deveria ter uma clara linha de posições sobre todos os problemas que o Brasil enfrenta. Falta no PSDB essa clareza, como papel de um partido de oposição.

 

Quem são as novas lideranças do PSDB?

 

Quem definirá quem são as novas lideranças não sou eu. O povo vai reconhecendo com o passar do tempo. Porque não se está discutindo aqui a idade. O mais importante é quem tem capacidade de criar projeto de partido e que possa ser reconhecido pela população.

 

Com a derrota nas eleições presidenciais, a "era Serra" chegou ao fim no PSDB?

 

A era de qualquer político só se encerra com a morte. O Serra tem um papel importante para o PSDB. Ele teve, tem e terá.

 

O ex-governador Aécio Neves é um nome natural para a candidatura do PSDB à sucessão presidencial em 2014?

 

Falar em eleição para 2014 é um exercício de futurologia. O Aécio é uma liderança indiscutível.

 

O senhor cogita retornar ao Legislativo?

 

Não. O Legislativo para mim, depois de oito mandatos, esgotou-se. E eu esgotei a minha cota de vida em Brasília. Eu estarei aqui no Estado, fazendo o que for possível fazer.

 

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