Gloria Trevi diz que foi estuprada; Câmara criará CPI

A cantora mexicana Glória Trevi afirmou, pela primeira vez, que não fez inseminação artificial para engravidar e que foi obrigada a manter relações sexuais por várias vezes na sala da administração da superintendência da Polícia Federal, no Distrito Federal, com uma pessoa cujo nome não quis revelar. A artista, que está presa no Núcleo de Custódia da Penitenciária da Papuda, em Brasília, fez as revelações a deputados da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, por duas horas, e reforçou a suspeita de que funcionários da PF podem estão envolvidos no episódio que culminou com sua gravidez."Saímos convencidos de que essa pessoa não era um preso, mas um policial", disse o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP). A partir do depoimento, o caso Gloria Trevi, que estava restrito a jurisdição judicial, passou também para a esfera legislativa. Deputados de oito partidos, incluindo a base aliada do governo, e integrantes das comissões de Direitos Humanos, Relações Exteriores e Constituição e Justiça da Câmara se reuniram emergencialmente, concluindo pela abertura de uma CPI para investigar o sistema prisional, tomando por base o episódio da cantora.DepoimentoOs deputados chegaram por volta das 10 horas à Papuda, onde Gloria já os esperavam cercada de policiais. Estava calma, mas com uma aparência cansada, já que no dia anterior foi submetida à última etapa do exame pré-natal. Inicialmente ela respondia de forma monossilábica às perguntas feitas por Greenhalgh, escolhido para interrogá-la pelo fato de também ser advogado. "A senhora era sempre retirada da cela pela mesma pessoa?", perguntou o deputado. "Sim", respondeu Glória, revelando, pela primeira vez, que manteve relações com um único homem na PF."Alguns tentaram, mas só foi com essa pessoa", disse a cantora. "Não gritei, não reagi, mas deixava claro que não queria aquilo", acrescentou, ao responder se as relações foram consensuais. No depoimento, Gloria foi mais adiante e contou que era levada para a sala da administração da superintendência, onde mantinha relações seguidas com o culpado. A partir deste momento, a cantora, que estava serena, começou a chorar.Gloria também rechaçou a versão da sindicância da PF concluindo que a gravidez fora resultado de inseminação artificial feita com um tubo de caneta, e que o sêmen utilizado teria sido do assaltante Marcelo Borelli e do empresário da cantora, Sérgio Andrade, também preso na Papuda. ExtradiçãoGloria, sua secretária Maria Portillo e o empresário aguardam decisão do Conselho Nacional de Refugiados (Conacre) sobre o pedido de status de refugiado para permanecerem no Brasil. A extradição dos três, pedida pelo México, foi concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF).Segundo a deputada Ana Corso (PT-RS), Gloria afirmou que sabia que a legislação brasileira tinha resoluções que não a impediriam de ser extraditada, mesmo tendo filhos nascidos no País. "Desde que fui presa sabia que o casamento com brasileiros muitas vezes não obsta a extradição", disse a cantora aos deputados. Além disso, ela revelou que não pretende fazer exame de DNA para comprovar que será o pai de seu filho. "Quero dar a ele o direito de fazer, se um dia quiser saber sobre o pai", disse, conforme versão dos parlamentares.

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