Gloria Trevi deve apelar para os direitos humanos

A cantora mexicana Glória Trevi, grávida de sete meses e atualmente presa na penitenciária da Papuda, em Brasília, deverá recorrer a entidades internacionais de proteção aos direitos humanos para poder continuar no Brasil. Ontem o Conselho Nacional de Refugiados (Conare) negou status de refugiada à cantora, que já estava com sua extradição concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). À artista não existe praticamente nenhuma outra alternativa para permanecer no País.A decisão do Conare será submetida ao ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, que já se manifestou anteriormente pela extradição. "Não tenho o que falar sobre o caso neste momento. Vou aguardar o recurso dos advogados para decidir o que fazer", afirmou Aloysio Nunes, em Montevidéu. O ministro não tem prazo definido para decidir o destino de Glória Trevi.Depois do anúncio de sua gravidez, Glória Trevi tem recebido apoio de diversas instituições. Após a ida dos parlamentares da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, agora é a vez da igreja visitar a cantora mexicana. Mesmo sem saber detalhadamente do que a artista é acusada em seu país, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) já resolveu que irá mandar o seu secretário-geral, dom Raymundo Damasceno, ao núcleo de Custódia da Penitenciária da Papuda para ver as condições da presa. "Queremos que seja garantida a ela assistência médica e não apenas atendimento em pronto-socorros, e que seja respeitada sua condição de grávida", afirmou d. Damasceno, esclarecendo que a Cáritas, entidade de defesa de refugiados ligada à Igreja Católica, faz constantes visitas a Glória Trevi. A CNBB não quis se manifestar sobre a forma de como a cantora engravidou nas dependências da PF, em Brasília. Hoje os advogados da cantora afirmaram que pretendem recorrer à entidades internacionais de defesa dos direitos humanos para manter Glória no Brasil. Para isso, eles podem pedir apoio às Organizações das Nações Unidas (ONU) e dos Estados Americanos (OEA), além da organização não-governamental Human Rights. Os próprios advogados acreditam na ratificação pelo ministro da Justiça da decisão do Conare.InquéritoAté agora, segundo investigadores que trabalham no caso, tudo leva a crer que a artista engravidou por inseminação artificial. Na próxima semana, será concluído o inquérito que apura em que circunstâncias a artista engravidou nas dependências da Polícia Federal. "As chances de que a cantora promoveu uma farsa são grandes", disse uma fonte ligada às investigações. Na quinta-feira, a PF convidou um representante da Comissão de Direitos Humanos da Câmara a acompanhar o inquérito, que já conta com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Ministério Público Federal.

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