Globo é proibida de citar nome de desembargador

Uma liminar concedida pelo juiz Antônio PeresParente, da 3ª Vara Cível de Teresina, proíbe a Rede Globo, o jornalista RobertoCabrini e a TV Clube, afiliada local da emissora carioca, de falar nos nomes dodesembargador José Albuquerque, da filha dele, Ingrid e do genro, João Ulisses deBrito, em reportagens sobre crime organizado, tráfico de influência e cobrança depropinas por membros do Tribunal de Justiça do Estado. O desembargador Albuquerque foi citado em reportagens de Cabrini por tráfico deinfluência e cobrança de propina. Terça-feira, o Jornal Nacional veiculou odepoimento em que o ex-prefeito de Jerumenha (320 quilômetros ao Sul de Teresina),Aderson Soares, informava ter pago R$ 100 mil por uma sentença que o manteria nocargo. A negociação envolveria o próprio desembargador, a filha, o genro e oex-procurador-geral de Justiça do Piauí, Antônio Linhares. A TV Clube já ingressou com um recurso no Tribunal de Justiça para derrubar aliminar, que determina o pagamento de R$ 5 mil diários se os nomes dos autores daação forem citados em reportagens da Globo. O desembargador Albuquerque foi além. Elepediu uma indenização de R$ 2,5 milhões por danos morais. "Isso é um absurdo. Nem nostempos da ditadura militar nós fomos coagidos desta maneira", protesta odiretor-presidente da TV Clube, Segisnando Alencar.O desembargador José Albuquerque não quis falar sobre a ação contra a Globo. O juizParente também não se pronunciou, informando apenas que "só fala nos autos doprocesso". Mas o presidente do Tribunal de Justiça do Piauí, desembargador LuísGonzaga Brandão, disse que é contra liminares que silenciam órgãos de comunicação. Ajornalista Drica Torres, da TV Clube, disse que, por orientação da Rede Globo, orepórter Roberto Cabrini também não daria declarações.

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