Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Gleisi Hoffmann é reeleita presidente do PT e quer protagonismo em eleições

Deputada critica política econômica do governo Bolsonaro, defende nova candidatura de Lula e ataca Sérgio Moro

Thais Barcellos, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2019 | 12h39
Atualizado 25 de novembro de 2019 | 05h29

SÃO PAULO -  A deputada federal Gleisi Hoffmann (PR) foi reeleita ontem presidente nacional do PT. Ela afirmou em discurso que o partido quer ter protagonismo nas eleições de 2020, inclusive com a costura de alianças. “Estamos conversando muito com a Manuela D’Ávila, do PCdoB), muito com o Freixo (Marcelo Freixo, deputado federal pelo PSOL-RJ). Não tem nada definido, mas estamos conversando.”

Gleisi disse, ao criticar a política econômica do governo de Jair Bolsonaro, que “a luta que a gente quer é a do campo democrático”. “Nas ruas, o povo vai combater os retrocessos.” E completou: “A extrema direita está indo conversar com o povo e temos que fazer o contraponto”.

No encerramento do 7.º Congresso Nacional da sigla, em São Paulo, Gleisi afirmou ainda que o PT quer a anulação da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e provar sua inocência. “Queremos Lula presidente novamente. Queremos a prisão de Sérgio Moro pelas barbaridades que cometeu.”

Lula tem duas condenações na Lava Jato (triplex e sítio), uma delas assinada por Moro, então juiz e hoje ministro da Justiça. Somadas, as penas chegam a 21 anos e 9 meses de cadeia.

Gleisi foi eleita com 558 votos dos delegados, que foram escolhidos em pleitos regionais por filiados do partido – o equivalente a 72% dos votos. Lula não compareceu ao congresso ontem. Ele fez um discurso na abertura do evento, na sexta-feira.

“Essa expressividade dos votos só me dá mais responsabilidade”, disse Gleisi, que disputou o cargo com a deputada federal Margarida Salomão (MG), que teve 131 votos (16,8% do total), e com o historiador Valter Pomar, com 91 votos (11,7%). O deputado federal Paulo Teixeira (SP) retirou a candidatura pouco antes de ser iniciada a votação.

“O Brasil passa por uma situação grave”, disse Gleisi em seu discurso, criticando a política econômica do governo, classificando-a como equivocada e dizendo que vai retirar direitos da população. A deputada afirmou que as manifestações contra essas políticas liberais, que ocorrem em países como Chile e Colômbia, vão chegar ao Brasil.

Além da reeleição de Gleisi, o Congresso aprovou tese que vai guiar o partido nos próximos quatro anos segundo a qual a sigla, a depender da análise da conjuntura, pode vir a assumir a defesa do impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Na prática, o PT rejeita o “fora, Bolsonaro” neste momento, mas não descarta discutir a possibilidade no futuro. Sobre as eleições municipais de 2020, o PT pretende lançar o maior número possível de candidatos e afirmou que vai buscar alianças para fortalecer a “oposição democrática”.

Atualizada em 24.11.2019 às 22h

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.