FABIO MOTTA / ESTADÃO.
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Gilmar vai relatar habeas corpus de Sérgio Cabral

Defesa do ex-governador do Rio alega insegurança para tentar impedir sua transferência para um presídio federal em MS

Rafael Moraes Moura e Breno Pires, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2017 | 00h20

BRASÍLIA - O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), será o relator do pedido da defesa do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) para mantê-lo na Unidade Prisional de Benfica, na capital fluminense. O objetivo dos advogados é evitar que o ex-governador seja transferido para o Presídio Federal de Campo Grande, conforme determinado pelo juiz federal Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal, do Rio.

+++Defesa de Cabral entra com habeas corpus no STF para mantê-lo em Benfica

A decisão por transferir Cabral atendeu a um pedido do Ministério Público Federal e ocorreu após o ex-governador fazer um comentário, em audiência com Bretas, sobre o fato de a família do magistrado vender bijuterias. Na ocasião, Bretas disse entender a citação como uma ameaça velada.

O habeas corpus foi distribuído “por prevenção” a Gilmar Mendes, que é relator de desdobramentos da Operação Lava Jato no Rio desde abril deste ano, quando concedeu habeas corpus a Flávio Godinho, ex-braço direito do empresário Eike Batista.

Segurança. Os advogados do ex-governador alegam questões de segurança para tentar a transferência. De acordo com a defesa, o presídio de Campo Grande abriga “dez criminosos oriundos do Rio de Janeiro, dentre os quais certamente estão alguns dos meliantes para lá transferidos por iniciativa ou provocação do próprio paciente”, escreveram.

Os advogados de Cabral sustentam que o ex-governador precisa continuar no Rio para “melhor se defender dos 15 processos que por lá tramitam em seu desfavor”.

Neste sábado, 28, em entrevista ao Estado, o deputado federal Marco Antônio Cabral (PMDB-RJ), filho do ex-governador, classificou como “sem jurisprudência, ilegal e absurda” a transferência. “Ele (Cabral) tem direito a falar nas audiências, falar o que pensa, falar como se sente”, disse.

Sérgio Cabral está preso desde 17 de novembro do ano passado. Ele já foi condenado três vezes a penas que ultrapassam 72 anos de reclusão – a primeira a 45 anos e 2 meses, a segunda a 14 anos e 2 meses e a terceira a 13 anos de prisão. As condenações são referentes aos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. 

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