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Gilmar Mendes diz que intervenção de governos na Lava Jato é 'lenda urbana'

'Isso é uma lenda urbana de que poderia haver interferência de governo ou que essas investigações dependeram da boa vontade ou não de governo', afirmou o ministro do STF, após participar de evento no Palácio do Planalto. 

Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

23 de junho de 2016 | 13h56

Brasília  - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, afirmou nesta quinta-feira, 23, que "não é possível" que nenhum governo interfira no andamento da Operação Lava Jato. "Isso é uma lenda urbana de que poderia haver interferência de governo ou que essas investigações dependeram da boa vontade ou não de governo", disse, após participar de evento no Palácio do Planalto. 

O ministro afirmou que as instituições brasileiras são "fortemente independentes". "O Judiciário, o Ministério Público, a autonomia da própria Polícia Federal, portanto, isso (a interferência) é uma lenda urbana". ?

Mendes participou da cerimônia de sanção da Lei que disciplina o processo e julgamento do mandado de injunção, ao lado do presidente em exercício, Michel Temer, do também ministro do STF, Teori Zavascki,  que é relator da Operação Lava Jato no STF. 

 

No evento, Teori disse que o país passa por um momento de "grande dificuldade" e que é necessário a adoção de "remédios amargos". "O país está enfermo, as voltas com graves crises na área de natureza econômica, politica e ética", disse. "Sem dúvida é preciso que as enfermidades sejam tratadas, como estão sendo, e que tenhamos a coragem de ministrar os remédios amargos quando necessário", afirmou.

Ao comentar a fala de Teori, Mendes disse que os remédios "que existem já são suficientemente amargos".  "Certamente vamos ter daqui a pouco condenações e tudo isso uma fase muito difícil da vida do país, mas a mensagem importante que o ministro Teori passou é que temos que olhar para frente", afirmou. 

O relator da Lava Jato disse os remédios amargos devem ser usados para "acertar as contas com o passado". "Mas sem prejuízo de medidas para acertar as contas com o passado é também indispensável que tenhamos um olhar para o futuro", afirmou.

Questionado se acreditava que a Operação Lava Jato podia estar perto de seu fim, Gilmar Mendes disse acreditar que não. "Não da para fixar prazos, decisões judiciais demoram." 

Mendes evitou comentar as declarações do ministro da Justiça, Alexandre Moraes, de que o governo da presidente afastada Dilma Rousseff nunca apoiou institucionalmente a Lava Jato e o combate a corrupção e que o governo de Michel Temer dá apoio às investigações. Ele também não quis comentar as acusações de petistas de que o encontro entre Moraes e o juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, pudessem interferir nas investigações. "Não vou emitir juízo sobre isso [encontro Moro e Moraes]. O ministro da Justiça tem funções de coordenação das atividades e logística das atividades da PF e precisa estar informado inclusive de necessidade de condições de trabalho", disse.

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