Andre Dusek|Estadão
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Gilmar Mendes diz que grampo em gabinete de Barroso é 'absurdo' e cobra investigação

Ministro afirmou que vai conversar sobre ocorrido com colegas nesta quarta e que não acredita que o equipamento tenha sido instalado há muito tempo

Gustavo Aguiar e Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2016 | 20h51

BRASÍLIA - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes classificou como “absurda” a escuta ambiental encontrada no gabinete do ministro Luís Roberto Barroso. Alvo de grampos no passado, ele se mostrou preocupado com a frequência de escutas ilegais em gabinetes de ministros da Corte e cobrou “investigação rigorosa” sobre o caso.

“É uma situação completamente absurda. Houve no meu gabinete sinais disso, o ministro (César) Peluso teve e, em dado momento, o ministro Marco Aurélio (Mello) no Tribunal Superior Eleitoral também teve. Ou seja, não é eventual, não é de hoje e tem havido sinais (de que ministros do Supremo são investigados ilegalmente). Todos nós temos preocupação neste momento, e esta escuta no gabinete do ministro Barroso mostra uma vulnerabilidade dentro de uma instituição tão importante”, afirmou o ministro.

A escuta foi encontrada em uma tomada embutida no chão, abaixo da mesa de Barroso, no dia 11 de abril. Gilmar afirmou, no entanto, que só soube do caso nesta terça-feira, 17, pelos jornais, e deverá conversar com os colegas nesta quarta-feira sobre o caso. Disse também que não acredita que o equipamento tenha sido instalado há muito tempo, já que os gabinetes dos ministros passam por varreduras periódicas de segurança.

“A varredura depende de gabinete para gabinete, de vez em quando os próprios colegas do gabinete fazem quando se lembram, mas o ideal é que tivesse mais regularidade. Agora, é óbvio que a Polícia Federal tem que fazer as investigações, é um crime federal. É claro que isso é ilegal”, disse.

Em 2008, Gilmar foi alvo de espionagem clandestina supostamente coordenada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Na época, cogitou-se a possibilidade de o ministro ter sido influenciado ou firmado algum acordo para soltar o banqueiro Daniel Dantas que, na época, estava preso preventivamente por implicação na Operação Satiagraha. A suspeita, no entanto, não foi confirmada.

Ainda não está claro quando a escuta encontrada no gabinete de Barroso foi instalada e se ela chegou a ser ativada. Segundo o gabinete do ministro, um procedimento interno foi instaurado para apurar o caso. Antes de sua posse, em 2013, a sala era usada pelo ministro Joaquim Barbosa, então presidente do Supremo, que anunciou aposentadoria antecipada meses depois do fim julgamento do mensalão.  

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