Gilberto Gil, no meio da polêmica dos transgênicos

Cerca de dez dias após ter sido enquadrado pelo chefe da Casa Civil, José Dirceu, por suas declarações sobre os transgênicos, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, voltou a afirmar hoje que a discussão promovida pelo governo em torno do assunto é limitada. Ressaltou que o tema exige um debate mais amplo, cautela e a participação da sociedade. ?Não cabe ao governo fazer interpretação unilateral dos desejos da sociedade. É preciso que tenha capacidade de interpretar para onde que o Brasil quer ir. Do ponto de vista da sua vontade, da sua capacidade normativa, o governo tem um papel muito grande de orientar o povo brasileiro, mas, para isso, também tem que escutá-lo?, declarou ontem, durante a abertura da edição especial de um dos maiores festivais de percussão do mundo, o PercPan, no morro do Cantagalo, na zona sul do Rio. Gil disse que, nem mesmo ele, um ambientalista, tem informações suficientes para tomar uma posição a respeito da liberação do plantio e comercialização de sementes geneticamente modificadas. ?O Brasil está dividido. Há gente que entende que a adoção da transgenia deve ser imediata, pois traz benefícios imediatos na produtividade. Outros dizem que ela pode comprometer o futuro da nossa saúde. Tenho dito o seguinte: promova uma discussão mais profunda junto à sociedade. Informe suficientemente para que a gente tenha uma massa suficiente de informação para tomar uma decisão?. Embora não tenha revelado se é contra ou a favor dos transgênicos, o ministro enfatizou que ainda não há consenso se o consumo de alimentos geneticamente modificados é totalmente seguro.

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